Capítulo 2

Maria Cristo — a Era da Feminilidade Sagrada e da Mãe Crística planetária

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)

(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, qual aspecto do tema de seu livro você desejaria abordar agora?

(Espírito Eugênia-Aspásia) – A profecia do Messias, da parte de Iavé; e o advento do Paráclito, anunciado por Jesus.

(BTA) – Presumia que você desenvolveria capítulos à parte para cada um.

(EEA) – São conceitualmente indissociáveis. O Messias remete-nos à vinda para a Terra, no plano físico, do Salvador; ao passo que o Paráclito trata de Quem configurará a “segunda vinda do Cristo”, coletiva e espiritual, ou seja, a outra chegada do Cristo, em Sua expressão mística, ubíqua e intemporal.

(BTA) – Você então imbrica ou entende como temas coincidentes a Parúsia e a promessa do Paráclito?

(EEA) – Simbolicamente, podemos interpretar como intrinsecamente conectados não somente os dois tópicos que você indicou, mas também o da chegada do Messias. Podem, por outro lado, ser contemplados e estudados à conta de temas metafóricos, subjetivos e, por isso, sujeitos a interpretação variada. Importa considerar, em adição, que, em temas complexos, qual o estudo de símbolos, sonhos, mitos, intuições, profecias e revelações místico-mediúnicas, pode-se afirmar que, a rigor, toda interpretação é válida, desde que respeitadas as diversas camadas de significado e, outrossim, a aplicação construtiva das ideias, como leitura de uma Realidade multifacetada, mas, em última análise, Unificada.

Somos de convir, dentro dessa perspectiva, que esses “avisos celestes” podem ser vinculados, em profundidade, no sentido de favorecer a tese que apresentamos, embora vejamos muito mais do que uma mera teoria ou uma expressão opiniática, e sim a revelação de um piso fundamental da Realidade, o da Feminilidade Sagrada, o da interconexão de todos os seres humanos e criaturas, à guisa de um paradigma holográfico ou de consciência unificada (da ótica da Física Quântica), ecológico ou orgânico, jungindo todas as dimensões da realidade numa só Teia de propósito e consciência — uma perspectiva gritantemente necessária, para remontarmos às causas primaciais da crise civilizacional que atravessamos, de sobrevivência da espécie humana sobre este planeta, com forte nexo na degenerescência da masculinidade, na exacerbação e cristalização tóxica do patriarcalismo, no modo de pensar, agir, quanto de organizar e desenvolver patologicamente desprovido da forma feminina de sentir e intuir o mundo como um todo-indiviso, entre indivíduos e comunidades, tanto no Ocidente quanto no Oriente.

(BTA) – Profundo e sério, Eugênia. Sou todo ouvidos.

(EEA) – Em Gênesis, temos o registro de que Iavé ou o Cristo-Pai, que entendemos como Gabriel Cristo, o Anjo que visitou Maria e a fez grávida de Jesus, em sentença categórica e bombástica dirigida à serpente que promoveu a “queda do ser humano” ou, como preferimos aqui denominar, o Dragão inimigo desta humanidade, o Cristo invertido, o ser antigo e extraordinariamente poderoso, que tem sido força de inspiração e propulsão dos maiores horrores perpetrados pela humanidade e contra ela mesma, século sobre século, dum quadrante a outro do globo, em forma de profecia:

— Porei inimizade entre ti e a Mulher.

Desse extrato do Antigo Testamento, poder-se-ia, num arroubo de ousadia exegética, dizer que Iavé afirmou, desde o primeiro livro da Bíblia, que o Espírito Ungido (uma das acepções da palavra: “cristo”), o Coração Redentor da espécie humana surgiria, no plano material de vida, em corpo de Mulher.

Não chegamos a tanto, muito embora fique claro, no episódio das Bodas de Caná, que Maria e Jesus entraram num conflito de pareceres sobre o problema havido naquela celebração de núpcias — bastante simbólico ser um casamento: a união mítica que acontecia naquela época e se desdobra até hoje, entre a Terra e o Céu, entre o Masculino e o Feminino, num épico “hierosgamos” planetário —, a falta de vinho (da alegria, da conexão entre estados de consciência que o álcool propicia, como droga psicogênica). E, nesse conflito, fica atestado que a visão de Maria prevaleceu, de tal maneira que Ela aparece, sem espaço a dúvidas, determinando o primeiro milagre realizado por Jesus em Seu Messianato, ao orientar os serventes da festa:

— Fazei o que Ele vos disser.

Isso dito logo após Jesus haver Se referido a Ela, em meio ao tal breve debate de opiniões entre os Dois, em palavras que revelavam ser Ela a tal Mulher prometida pelo Cristo-Vontade (Iavé), no Gênesis, a “pisar a cabeça do dragão”:

— Mulher, que temos com isso?

Eis agora ocasião oportuna de exprimirmos nossa opinião sobre o intricadíssimo e sibilino tema, que até hoje causa divisão, como a comunidade judaica que não aceita Jesus como o Messias. Entendemos que tanto Jesus como Maria assumiram a função de Messias, de salvadores da humanidade terrena. Vemos uma espécie de binômio messiânico exercido pelos Dois. O que nos parece especialmente coroado no final da Vida Pública do Cristo-Verbo, quando, crucificado, volta-Se para Seu discípulo “amado” João (representando toda a humanidade) e o Cristo-Vida Maria:

— Filho, eis aí tua Mãe; Mãe, eis aí teu filho.

É nesse ponto, exatamente, que fazemos o desenvolvimento conceitual do tópico do Messianato, tanto na direção da Parúsia como do Paráclito. É que Maria seria o Espírito Santo a estar sempre com a comunidade cristã, confortando e esclarecendo, em Nome de Jesus, desde os primeiros anos após o Drama da Cruz, até o movimento Mariano moderno, iniciado por Catarina Labouré, em Paris.

É essa Figura onipresente na família cristã de todos os séculos que também confere a Maria o status de protagonizar a Parúsia ou o Segundo Advento do Cristo, que se concretizará ao modo de uma vivência psíquica de grupo. O Cristo esteve conosco, pela primeira vez, de modo físico e individualizado, no Vulto de Jesus, e retornará, gradativamente, à medida que amadurecermos como cultura e civilização, na psique da humanidade terrestre inteira, portanto de modo coletivo e espiritual, dentro da modalidade aglutinadora e misericordiosa (catalisadora de um movimento histórico de confraternização universal) de uma Mãe de Todos que Maria Cristo representa para integrantes de todas as denominações cristãs e para a humanidade inteira.

(Diálogo mediúnico travado em 16 de julho de 2026)