(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, no próximo 17/05, celebramos o Dia Internacional de Combate à LGBTfobia. Você poderia nos dizer alguma coisa a respeito?

(Espírito Eugênia-Aspásia) – Tema inesgotável, que demanda retornos constantes para novas reflexões e debates mais amplos, de modo que, em sendo elaborado com consistência e profundidade na psique de indivíduos e coletividades, quanto na cultura humana de uma forma geral, logremos a erradicação de toda ordem de violência contra LGBTs, das mais crassas às aparentemente inócuas, como as que fomentam o ódio e o auto-ódio pela via do humor.

(BTA) – Qual tópico, dentro da temática, você poderia nos destacar?

(EEA) – Deve-se começar pelo reconhecimento de que, sobremaneira pelo percentual de pessoas com potencial à bissexualidade, mesmo que não a vivam, a comunidade LGBT+ é composta pela maioria da população terrena, não constituindo uma minoria, portanto, como tanto se propala.

Lembremo-nos, por outro lado, do quanto a religião e a legislação, na maior parte dos rincões do planeta, ainda condenam definições de sexualidade que não sejam a heterossexual cisgênero padrão. Esses dois pilares da civilização – templos e tribunais – precisam de radical atualização, a fim de que, por conseguinte, setores da mídia e da comunicação de massa, com suporte do bom jornalismo e dos veículos consagrados de imprensa, repercutam o que as academias de ciência e a vanguarda da arte já asseveram há decênios: as diversas manifestações de orientação sexual ou de identidade de gênero consistem em expressões naturais da condição humana.

(BTA) – E isso não se faz da noite para o dia, nem facilmente…

(EEA) – Não. A obra é ingente e consumirá dezenas de anos de esforços geminados de cidadãos(ãs), organizações, países, igrejas, mas não desvanecerá enquanto não atingir plenamente seus objetivos, visto que desfruta da tutela das grandes Autoridades Espirituais que, em Nome de Deus, dirigem os destinos do orbe.

(BTA) – Não saberia o que mais perguntar sobre o assunto. Sinto-me atordoado em meio à complexidade e à dor que o pervaga.

(EEA) – Porque você o viveu profundamente, desde a infância, além de, na vida adulta, ter-se disposto a estudá-lo e, sobretudo, a debatê-lo sistemática e publicamente, inclusive diante das câmeras de TV, a partir da primeira metade dos anos 1990. Dessarte, as nuances afligentes e os contornos de grave urgência da temática não lhe escapam, qual ocorre, de certa maneira, com heterossexuais cisgênero e mesmo com integrantes da fatia LGBT+ da sociedade que, por mais esclarecidos(as), não se aplicam ao trabalho de conscientização e libertação de almas, como você o faz perante as multidões, há mais de 30 anos.

(BTA) – Incrível como o tema parece irritante para muita gente.

(EEA) – E revoltante, no sentido de despertar fúria violenta, homicida, suicida e genocida, mas apenas para quem esteja imerso(a) na mentalidade primária do ego rasteiro e retrógrado, cristalizado na retaguarda do conservadorismo reacionário e focado em ganhos pessoais e imediatos.

Em contrapartida, o poder espiritual que protege a pauta e aqueles(as) que se empenham em defendê-la se mostra imbatível, porquanto procede da Divindade. Outrossim, chegado é o momento histórico evolutivo de essa questão, enraizada há milênios no universo cultural do plano físico, ser apropriadamente tratada e resolvida, não importando quanto tempo e energia tal realização demande de pessoas e comunidades inteiras.

(BTA) – Você tocou noutra consequência da LGBTfobia: o suicídio…

(EEA) – Sim. A LGBTfobia é dos fatores que, ao lado do ateísmo militante, mais fomentam o desgosto de viver, a perda de propósito na existência, a falta de alegria e idealismo, provocando, por assim dizer, a morte da alma de milhões de criaturas, ainda que muitas não venham a perpetrar nenhum ato de violência letal contra si ou contra terceiros.

Observamos, com profunda lástima, a gigante escala que adquirem o cinismo, o niilismo, a desconstrução das bases da moralidade e da espiritualidade, bem como o impacto dos anátemas moralistas, irracionais e criminosos que se assestam contra LGBTs, amiúde expressos em declarações monstruosas, qual a de cunho religioso que os(as) considera “abominações” desde o berço e durante toda a vida, dentro ou fora da matéria densa.

Trata-se de um movimento diabólico que, conforme destacamos acima, ainda procede de dois dos mais importantes segmentos das sociedades, o das leis e o das religiões, que teriam, por princípio, o dever de combater toda ordem de discriminação, seja por orientação sexual, identidade de gênero ou qualquer outra característica humana.

Que líderes e populares, de todas as tribos e feições, compreendam a relevância do assunto e o ventilem seriamente, do reduto dos lares às mais influentes plataformas de difusão de ideias e valores, em prol da salvaguarda de massas colossais de corações sofridos, transtornados e desesperados, que necessitam de socorro, jamais de ataque.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)

Recife, 14 de maio de 2026