Por que digo que não sou a deusa? Porque ninguém é deusa, literalmente. E, por outro lado, todos somos deuses e deusas, como sementes de anjo que se desdobram, a pouco e pouco, no carreiro dos séculos. Mas, sim, como um dos guias daquele povo, como uma inspiradora das suas ideias, como uma peça no conjunto da formação daquela tão amada cultura, contribuí, mui humilimamente, no sentido de sua construção e perpetuação, em função de sua essencial importância para a história das ideias humanas no planeta.
Quando, no século XIX, escrevi, junto a outros amigos (eu em particular sob a alcunha de “Espírito Protetor” (*2)), algumas mensagens psicografadas na Codificação Kardequiana, ainda estava no desempenho da mesma missão.
Quanto à participação, do plano físico, neste gigantesco empreendimento civilizacional, fi-lo, na última ocasião, há seis séculos, consolidando as diretrizes da atual fase do projeto, que teve início, no seu todo, há mais de 3000 anos.
Podemos dizer que houve cinco grandes períodos de desdobramento do “Projeto Sabedoria” ou “Projeto Sophia”. Primeiramente, grandes inteligências aportaram ao mundo físico, que tive a satisfação de ajudar, estimulando-as, como Pitágoras, Sócrates, Platão e toda a linhagem excepcional de grandes pensadores gregos. Preparamos o terreno para a chegada do Cristo, e, após Sua vinda à Terra, durante mil e quinhentos anos (o segundo período do projeto), eu e meus amigos tivemos que nos recolher ao silêncio (no que diz respeito a ações diretas sobre o progresso coletivo no plano físico), para, somente no final da Idade Média, prepararmos o prenúncio de uma nova era: espocariam o Renascimento, a Reforma e, em seguida, alguns séculos mais tarde, o Iluminismo. Assim, durante o período final da Idade Média, desci duas vezes ao plano-físico de vida (o terceiro período), uma na segunda metade do Século XII e a última, no início do século XV (*3) justamente para, através de sociedades secretas diversas – três ao todo (*4) -, emitir a palavra dos Grandes Mentores da Humanidade, que recebi, apesar de minhas limitações, por meio das modestas faculdades mediúnicas de que era dotada, no sentido de insuflar o realce que se deveria dar à figura feminina, na cultura e no imaginário humanos, para evitar o colapso da civilização à altura do século XX. De fato, algumas escolas iniciáticas, entre elas a franco-maçonaria (não se estranhe a ironia de ser ela hoje um reduto de ideais e paradigmas patriarcalistas – a nossa influência se perdeu no correr dos séculos), fizeram o que puderam, no transcurso de gerações sucessivas, para atender ao comando que transmiti, como porta-voz do “Governo Oculto do Mundo”, entre 580 e 820 anos atrás, aproximadamente. Assim, alguns de nossos amigos prelados da alta cúpula da Igreja Católica Romana acentuaram o culto à Virgem Maria, assim como artistas e intelectuais, como Dante Alighieri, com sua Beatriz, e Leonardo Da Vinci, com sua Mona Lisa, bem como, mais tarde, até mesmo os líderes da Revolução Francesa, que despontaram com a “deusa Razão” como inspiradora do movimento, instigaram, quanto lhes foi possível, o ideal feminil na alma humana da Terra.
Todavia, não conseguimos fazer frente a todo o contra-movimento masculinizante, que surgiu em resposta psicológica automática ao nosso apelo, reforçado, poderosamente, com Francis Bacon e Renés Descartes e sua cosmovisão analítica, abstrata e materialista, que deu feições nitidamente machistas à Ciência, e, assim, o paradigma mecanicista-materialista-dualista tomou o lugar da visão orgânica de mundo que a perspectiva feminina favorecia. Sabíamos, de antemão, entrementes, que isso aconteceria. E, destarte, programamos o “contra-ataque”.
Foi assim que nos reunimos, no final do século XVIII, após o espocar dos primeiros albores da Civilização Industrial, e decidimos pela descida de um de nós, para novamente gerar um efeito seminal e catalisador, sobre os processos de elaboração mental da coletividade, amigo esse que envergou o nome de Hipollyte Lèon Denizard Rivail, mais conhecido por seu pseudônimo: Allan Kardec, enquanto os demais ficamos do Lado de Cá, conduzindo-lhe a mente e o coração nobres, na tarefa ingente que marcaria os destinos da humanidade. Para secundá-lo e nos comunicar as ideias, psiquicamente, com a máxima fidedignidade, escolhemos um conjunto especial de psiques sensíveis, para reencarnar ao seu lado, em particular aquela que maior parcela teria na confecção dos textos mediúnicos de sua obra, psicografando mais de 2/3 das respostas contidas em “O Livro dos Espíritos”, um espírito que nasceu mulher, e que ficou conhecida, carinhosamente, pelos espíritas daqueles tempos primordiais, de “Mademoseille Japhet”. Por meio dela (que era meu médium preferencial) e de outros medianeiros, canalizamos, por diversas vezes, a opinião de nosso “Conselho de Sophia” (*5). Dentre aqueles que assumimos a função de escrever psiquicamente, ilustrando e dando substratos à basilar obra kardequiana, além dos nomes mais famosos que assinaram o trabalho à época, havia os hoje já conhecidos na literatura espírita: Emmanuel e Joanna de Ângelis. Essa Era de Ouro do Projeto Sabedoria constituiu o seu quarto e penúltimo período de manifestação e concretização no mundo físico.
Agora, adentramos a fase final do trabalho ciclópico iniciado há três milênios: faremos a grande síntese final, para efeitos de grandes medidas paradigmáticas (e não culturais menores, que representam características próprias de cada lugar e povo) entre os megablocos civilizacionais da Terra (considerando aqui, para essas grandes medidas, três: o Ocidental, o Oriental Extremo e o Oriental Médio), assim como entre religião, ciência e filosofia (como já estabelecera o alicerce Kardec), associando, entretanto, esta ultra-síntese aos avanços e modernidades não só dos conhecimentos e tecnologias recém-produzidos e recém-desenvolvidas, respectivamente, mas também englobando costumes e novas formas de interagir com o mundo e enxergá-lo. A massa, agora, toda ela, será tocada pelo clarim da transformação planetária. Até agora, o movimento de sabedoria, que tomou a feição de espírita, esteve adstrito ao circuito dos curiosos e alguns poucos privilegiados. De agora por diante, atingirá dimensões mastodônticas.
Havia alguns poucos que nos acompanhavam, mui grosseiramente, as ideias, 500 anos antes de Cristo. 2.000 anos depois, durante a Renascença, um grupo seletíssimo de homens (e menos ainda de mulheres) cultos avançou bem mais nos ideais de humanismo, liberdade e democracia. No final do século XVIII, toda a classe esclarecida de uma nação, a Francesa, inflamou-se com o lema: “Liberdade, Igualdade, Fraternidade”. Na segunda metade do século XIX, boa parte dos homens mais ilustres da mesma nação entenderam que o ideal humanitário não prescindia de bases que transcendessem o plano filosófico, político e social, e alcançasse a dimensão espiritual, espraiando-se para o além túmulo, donde lápides vazias clamavam a imortalidade da alma humana, conferindo propósito e significado ao que antes constituíam meras absurdidades…
Por fim, chega o século XXI, o primeiro século do terceiro milênio, e os meios de comunicação de massa deitarão, por todo o globo, a mensagem eterna da Espiritualidade Maior, de modo irrefreável e definitivo!
Eia, amigos e irmãos em ideal!… Chegou a Hora!… A Sabedoria triunfará sobre a ignorância e o primitivismo! E não só uma, mas milhões, bilhões de “Athenas”, com ou sem corpos físicos, em corpos de mulheres ou de homens, surgirão por toda parte, transbordando num oceano de sabedoria intérmina… e a Era Final da Paz e da Concórdia Universais surgirá, na definitiva e inexpugnável Civilização da Felicidade!…
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
28 de agosto de 2003
(*1) Em função da revelação bombástica que foi ao ar na mensagem “A Grande Deusa Palas Athenéía”, nesta última quinta-feira, 28 de agosto (que sugiro ao internauta não deixe de ler, clicando em “mensagens anteriores” e selecionando-a, para que possa entender o porquê desta mensagem de agora), entabulei uma conversa a adorável mentora, no dia seguinte à recepção da fortíssima revelação, à noite. Este trecho da nossa confabulação (existe uma parte que antecede ao que aqui é trazido a lume) pedi autorização para publicar e ela a concedeu, já que, inclusive, era seu intento desde o princípio que isso se desse.
(*2) Nova incrível revelação sobre a doce e sábia mentora. O “Espírito Protetor” é a entidade que mais se comunica e ilustra “O Evangelho Segundo o Espiritismo”, além de ter participado de outros livros do “Pentateuco Kardequiano”. Para dar um exemplo, o texto: “O Homem no Mundo”, item 10 do cap. XVII, desse livro, deixa óbvia a clara natureza eugeniana de seu pensamento, sobremaneira ao, em pleno século XIX, propor um equilíbrio entre necessidades espirituais e materiais, e sugerir que, na busca espiritual, sejamos felizes – algo, de fato, de um vanguardismo excepcional para aqueles dias, e, por sinal, constituindo o cerne (a felicidade) da filosofia eugeniana.
(*3) Duas encarnações tão próximas uma da outra, afastadas por pouco mais de 100 anos, constitui um enorme sacrifício para entidades do nível evolutivo de Eugênia. Tratou-se, realmente, de uma medida extraordinária de emergência, em função da antevisão de desdobramentos históricos de magna relevância para a humanidade, reencarnando a grande mentora, assim, estrategicamente, em duas nações importantes da época, para disseminar sua influência por toda a Europa medieval.
(*4) Eugênia não quis especificar – no que respeitei a mentora – mas é do meu conhecimento que uma delas era de pouca importância, exclusivamente feminina, e uma outra, como ela revela adiante, era a Franco-Maçonaria ou um de seus braços genéticos, que de fato já existia, em seus primórdios, à altura do início do século XV, em que Eugênia aportou, pela última vez, à dimensão material de vida.
(*5) O “Conselho de Sophia” ou “Conselho da Sabedoria” seria a plêiade de gênios celestes que recebeu, da Máxima Autoridade do orbe, a incumbência, há vários milênios, de conduzir a evolução das ideias, concepções, paradigmas, valores etc. no planeta.
(Notas do Médium)