Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)

(BTA) – Eugênia, quadros de uma história espiritual séria vêm à minha mente, desde a primeira refeição da madrugada. Você tem algo a dizer sobre o assunto?

(EEA) – Sim. Primeiramente, que você está captando fielmente o que queríamos lhe transmitir. Trata-se de um jovem atualmente encapsulado em vaso orgânico, em regime de especial crédito de misericórdia, que não está aproveitando bem a oportunidade sagrada que a Divina Providência lhe concedeu.

(BTA) – Pelo que captei, ele é atualmente um adolescente tardio, que inicia a vida adulta, criado por uma avó, que lhe é mãe espiritual…

(EEA) – Isso mesmo. Não é a única pessoa com quem ele reside. Mas a informação central, que aqui nos importa considerar, é essa. Há pelo menos três séculos, o espírito que retornou à baila da reencarnação como sua avó tentava organizar sua descida para as labutas cármicas, com ele, um muito caro filho seu de diversas existências físicas, um filho eterno d’alma. Não logrou vir na condição de mãe, como era de sua preferência, sobretudo por falta completa de merecimentos para tanto, da parte do rapaz, que, por sinal, encontra-se na iminência de perder a presença de sua tutora espiritual, prestes a desencarnar, no espaço de, no máximo, um quinquênio.

(BTA) – Que pena que ele esteja desperdiçando graça tão especial… Você pode dizer de que modo o jovem menospreza a vivência? Eu o vi muito irritadiço, subestimando a grandeza moral da avó, com respostas evasivas, cheias de escárnio, aos apelos que ela lhe dirige. E a avó intui que está para voltar? Ela foi guia espiritual dele no passado?

(EEA) – Respondo por etapas. Sim, a mãe espiritual, hoje avó, em passados períodos entre vidas, funcionou-lhe à guisa de guia espiritual. O “garoto”, recém-chegado à maioridade, nem de longe suspeita que está convivendo, debaixo do mesmo teto, com um grande espírito, que já lhe foi condutor para Deus, que tem esse status e voltará a atuar desse modo, após seu decesso carnal. É alguém com quem ele teria dificuldade de apenas contactar (jamais conviver), quando voltar à dimensão extrafísica de existência.

O adulto jovem anda aos tropeços com o desinteresse em estudar, não quer trabalhar, entende a vida como um carrossel de prazeres imediatos do corpo, nutre profundo desprezo pelos sentimentos de outras pessoas, engana moças, sem remorsos, em aventuras sexuais, é dado ao consumo de drogas lícitas e ilícitas, e já faz incursões avançadas na direção do crime, com destaque para o tráfico de drogas, com que custeia seus vícios variados.

A avó acompanha tudo isso, angustiadíssima. Para aumentar sua aflição de mãe extremosa, a idosa intui que está para voltar à Pátria Espiritual, percebendo claramente que o seu caríssimo rebento do coração não lhe está absorvendo as sugestões educativas urgentes.

O neto é insolente, recebe com desdém todas as suas recomendações importantes, a respeito do aproveitamento da vida, em seus fundamentos essenciais, tomando-as à conta de uma fixação da avó no papel de professora de crianças, função na qual se aposentou com “louros morais”, para a perspectiva do Mundo Maior, por grandes serviços prestados a centenas de almas que lhe foram confiadas, ano sobre ano, como alunos mirins, a quem amava quase como se cada um fosse filho ou filha de seu espírito devotado.

(BTA) – Impactante sempre tomarmos conhecimento de dramas como este, mesmo que saibamos que esse tipo de ocorrência seja comum, na Terra. Haveria alguma razão específica para me serem passados “flashes” do dia a dia de ambos, o que gerou esse diálogo entre nós dois, Eugênia?

(EEA) – Sem dúvida. Muitas pessoas, em graus variados, vivem, lamentavelmente, embora de modo não tão agudo como no caso em foco, experiência similar a essa, e muitas podem ser propelidas à reflexão – por contato direto ou indireto com esse diálogo, que peço seja publicado –, quiçá mudando de atitude e corrigindo seu desvio de rota, que lhes custará severas, variadas e longas provações, que poderiam ser evitadas.

Quando reencarnadas, amiúde as criaturas julgam que os indivíduos que lhes ladeiam os caminhos, no cotidiano, são-lhes idênticos em valor, em estirpe evolutiva, o que raramente corresponde à realidade. Há enorme heterogeneidade de perfis e caracteres no domínio físico de vida. E, quase sempre, sobremaneira pela fixação, na mentalidade da crosta, em avaliarem-se pessoas de modo exageradamente centrado no intelecto – na capacidade de adquirir prestígio, fortuna ou poder pela inteligência –, passam despercebidos ou confundidos com psicotipos “inferiores”, no campo do desenvolvimento dos sentimentos, aqueles seres que estão aprisionados em organismos materiais para fomentar o genuíno progresso das comunidades, o que concerne ao universo da fraternidade legítima, seres que estão reencarnados com o propósito de estimular, em seus irmãos em humanidade, o desejo sincero de servir ao bem comum, ainda que alcancem poucos de seus semelhantes.

(BTA) – O fato de esses caracteres mais refinados serem menosprezados faz com que os que mais carecem de sua influência se fechem a eles…

(EEA) – Sim. Eis o motivo de nossa “admoestação” cristã, pela via transversa de comentários expendidos a respeito de um caso em estudo, a fim de auxiliar quem, nos dizeres de Nosso Mestre e Senhor Jesus: “tenha olhos de ver e ouvidos de ouvir”.

(BTA) – Mais algo a declarar, Eugênia?

(EEA) – Não. É tudo por hoje que solicito seja publicizado.

(Diálogo mediúnico travado em 6 de setembro de 2026.)