Estou vivendo o meu ritual. São agora 3 e meia da manhã. A luz do meu gabinete apagada, uma música de forte tom místico de fundo, em volume suave, com dolentes vozes femininas… que clamam pelo infinito… Estou apenas com a luz do leptop acesa, uma de “emergência”, que projeta um brando foco de luz sobre o teclado, deixando-me as mãos diáfanas, como se não fossem materiais. A tela está no nível mínimo de luminosidade, e uso caracteres de um vivo amarelo-dourado, contra um fundo azul-escuro. Não me sinto na Terra, provisoriamente, e isso é proposital. Conversei, nesta noite, até a exaustão, com a sábia mentora Eugênia, e, a essa altura da madrugada, chegou a hora de não mais viver o mediunismo e sim ficar “apenas” com o animismo, o meu mundo interior, minhas lembranças, minhas sensações, minha própria vida…

Fiquei em estado de choque, fazendo esforço para estar enganado, após a revelação fabulosa que Gustavo Henrique nos fez na quarta-feira próxima passada, com sua mensagem: “A Grande Deusa Pallas Athenéia”. Um guia civilizacional desta ordem não poderia estar se manifestando diretamente, por meio do Salto Quântico. Fiquei tão apreensivo com o que foi dito que, no mesmo dia, vi-me regredindo psicologicamente à condição de um devoto atávico, e me vi fazendo penitências morais para purificar a alma e não “sujar” a “deusa”, com minha enorme inferioridade moral, meu precaríssimo nível evolutivo. Como disse a uma querida amiga, em desabafo eletrônico, por e-mail, cancelei um encontro fraterno, com querido amigo, apenas porque constituiria lazer. Não poderia me dar ao luxo de momentos de divertimento, ainda que sérios, pois que deveria me compenetrar da gravidade daqueles instantes e me elevar espiritualmente até o máximo ponto que pudesse, para não conspurcar a pureza divinal do anjo que nos honra com sua misericórdia nos visitando, através das páginas do Salto Quântico.

Convoquei, em seguida, uma reunião solene com alguns poucos amigos (três) e li o que acabara de receber, pela psicografia, do amigo desencarnado. Faltou o chão para todos. O que estava a nos esperar, com aquele tipo de revelação? Não fosse o bastante e a própria Eugênia, no dia seguinte, envia-me o texto que será publicado nesta quarta-feira (*2): “Um Oceano sem-Bordas de Athenas”, que creio um complemento do anterior, de seu antigo confessor e conselheiro (apesar de muito o superar) em Aquitânia, quando foi a inesquecível “Princesa do Mediterrâneo”.

Eugênia sempre surpreendeu com sua grandeza e exelcitude, como, por exemplo, no fato de que, sempre, há mais de dez anos, pouco antes de fazer uma incorporação pública, das pouquíssimas vezes que o fez, ser antecedida de um concerto de lágrimas de várias pessoas presentes, mesmo que nenhum sinal houvesse sido dado, racionalmente falando, de que iria me engolfar psiquicamente o soma, para se manifestar por alguns minutos, psicofonicamente (por meio da popularmente conhecida “incorporação”). Observe-se que digo antes e não depois, pois que as lágrimas, após a manifestação mediúnica direta de Eugênia, são irrefreáveis para a maior parte dos circunstantes – faço alusão a comoções que prorrompem, “inexplicavelmente”, por todo o salão, com centenas de pessoas, “sem causa aparente”, apenas provocadas pela aproximação vibratória do Anjo-Luz que como que nos rasga a alma para as excelências do amor puro… um amor que Ela emana de modo tão intenso e poderoso que, como muito bem disse uma amiga, e como eu mesmo já o havia dito, em outras ocasiões: dói! Literalmente dói, no fundo de nossos corações e de nossas almas… inaptas ainda para o amor dos anjos…

Impressiona a todos não só o fato de as vidas de quem se aproxima d’Ela sofrerem fantásticas guinadas para melhor, em diversos sentidos, em pouquíssimo espaço tempo, como também o de que, quem se põe contra o projeto Salto Quântico, o seu bebê na Terra, recebe como que descargas fulminantes de ordem numinosa, como que vitimados pela “fúria dos desues”… e como! E quantas vezes isso se repetiu! O poder acachapante de um carma cósmico: o de se colocar contra uma “deusa”, um ser que corporifica, em si, os desígnios divinos em escala máxima. A Justiça automática do Universo que funciona de forma instantânea e arrasadora… na proporção de a Quem se tenta prejudicar… um ser semi-divino que trabalha para o bem de milhões de almas…

Uma lembrança em particular, porém, me vem à mente, que não posso deixar de tornar pública, pela sua beleza e poder extraordinários. Quando o adorável e paternal Gustavo Henrique fazia a dissertação mediúnica, por meio de minha psicografia, que tanto causou impacto no núcleo e na família Salto Quântico, por todo o país e fora dele, uma imagem fortíssima me foi projetada na mente (como sói acontecer durante psicografias), elemento das memórias do espírito ou dos registros akáshicos (*3) utilizados para dar um caráter histórico-documental ao que relatava:

A deusa Pallas Athenéia, encarnada na condição da elegante e majestosa Sophia, apareceu como uma senhora de meia-idade, sentada em uma cadeira grega típica à época, com o respaldar à altura dos braços e unido a eles formando um meio círculo, um arco, num imenso salão ermo, com frente para enorme varanda, donde provinham brisas suaves e os murmúrios longínquos da multidão, que se apinhava no templo da deusa, logo ali perto… Em transe, imóvel, em profunda meditação, olhos distantes… perdidos no infinito… e… de longe, gritos, súplicas, pedidos desesperados de socorro à deusa protetora da cidade… a Grande Pallas Athenas… e Ela… ali… tão próxima… e eles tão longe de suspeitá-lo… Em fusões espetaculares de imagens (bem ao modo que se pode hoje facilmente imaginar, pelos efeitos especiais de Hollywood), a imagem da deusa imóvel e meditativa, no salão silencioso e calmo, contrastava com a da turba insana e primai, a se arrojar no chão e suplicar, em desespero, o socorro do ser divinal, há poucas dezenas de metros, no templo erguido em Sua própria homenagem…

Com sua mente prodigiosa, pervagava Ela os pensamentos da multidão, ouvia mentalmente as imprecações desesperadas, quanto as tranquilas, e, mesmo encarnada, não só vibrava pela paz e a solução de todas as pendências, como providenciava, Ela mesma, com sua psique, na velocidade de um relâmpago e o poder de mil sóis, as soluções mais adequadas, ao mesmo tempo mobilizando falanges inteiras de auxiliares desencarnados que a cercavam nesse momento, e afluíam, em grande quantidade, rumo à massa, a seu comando direto, indo e vindo, feericamente…

O contraste da deusa com os mortais primitivos era impressionante! Dentro do palácio… em celeste silêncio. Ela… a senhora nobre e mentalmente superior; lá fora, a mole vulgar e primitiva, debatendo-se no chão, em genuflexões dramáticas, clamando por sua protetora… que lhes atendia, espiritualmente, articulando as potências do Cosmos, sem mover sequer uma pálpebra…

Esta cena espetacular ficar-me-á, para sempre, indelevelmente gravada nas telas da memória… bem representativa da distância que por vezes há entre os seres mais evoluídos e os menos adiantados que habitam o globo, em condição humana, se é que podemos ainda considerar este ser que chamamos Eugênia de humano. Talvez devesse dizer, mais apropriadamente, que se tratava de um embate feliz entre um Anjo-Gênio e uma massa de miseráveis e primitivos seres humanos, em estágio mágico-superscioso de desenvolvimento mental.

Ela, realmente, como na linda e sóbria vinheta da “Columbia Pictures”, parece o Anjo Místico da Sabedoria, a trazer Luz, para toda a humanidade aturdida, nas trevas da ignorância, bem caracterizando a atual necessidade coletiva do despertar do feminino, no nível máximo de maturidade, a “anima superior”, no seu quarto estágio de desenvolvimento, como propõe a Psicologia Analítica de Cari Gustav Jung, que, como o próprio egrégio psiquiatra suíço declarou: está perfeitamente simbolizada na figura da incomparável deusa ateniense.

Eugênia, Anjo Solar que recebeu a incumbência de dirigir a plêiade de gênios celestes que insuflam os movimentos filosóficos, paradigmáticos, científicos, artísticos e culturais do planeta é o nosso grande Centro Diretor das Ideias superiores na Terra, por determinação do próprio Cristo.

Que, com todas as nossas numerosas e enormes deficiências, façamo-nos seus humílimos seguidores, distorcendo o mínimo possível e aplicando, fidedignamente, o máximo possível do que Ela nos oriente fazer, viver e nos tornar…

Salve o Grande Anjo da Sabedoria! Salve Cristo! Glória a Deus, para sempre!…

Benjamin Teixeira de Aguiar
30 de agosto de 2003

(*1) Para que o leitor possa entender o conteúdo deste artigo, haverá que ter lido as mensagens: “A Grande Deusa Pallas Athenéia”, de 28 de agosto e a “Um Oceano sem-bordas de Athenas”, de ontem. Caso não as tenha lido e deseje fazê-lo, basta clicar no canto superior esquerdo da tela de seu PC, em “mensagens anteriores”.

(*2) Ontem.

(*3) Espécies de “gravações” psíquicas feitas no espaço-tempo pela consciência humana, no correr dos séculos.

(Notas do Autor)