(Equipe da Sociedade Maria Cristo) – Benjamin, você inicia uma nova viagem à Europa, nesta quarta-feira, 16 de setembro. Tem algo que você poderia partilhar a respeito? É sua sétima passagem pelo Velho Mundo, não é?

(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Sim, esta é a sétima vez que por lá pisamos, nesta reencarnação. Duas delas ocorreram no século passado (1997 e 1998); duas outras, na década passada (2011 e 2019), e mais duas, nesta década (2024 e 2025). Trata-se de um rito de passagem importante, para quem intua, como nós, o significado de se fazer uma peregrinação por “lugares santos” – um símbolo mitologemático de uma jornada mais profunda, que temos de fazer, portas adentro de nossas próprias psiques. Quase 70 pessoas do Núcleo Interno de nossa instituição participarão conosco, neste ano, da visita ao convento de Nevers, onde residiu e faleceu, em sua última reencarnação, o Espírito Eugênia-Aspásia, nosso Guia Espiritual, quando envergava o corpo de Bernadette Soubirous.

(ESMC) – Você se restringirá a Nevers, desta vez, é isso?

(BTA) – Sim, eu e aqueles(as) que estão mais próximos(as) a mim. Algumas pessoas ficarão comigo no interior francês, em encontros reservados, numa espécie de retiro informal, em que nos dedicaremos a reuniões para permutas fraternas e reflexões espirituais, incluindo, provavelmente, a gravação de palestras exclusivas às pouco mais de 280 pessoas que têm autorização para acompanhar as duas aulas que ministramos semanalmente (nas terças e quintas-feiras), sob influência de nossos(as) Instrutores(as) Espirituais, afora as preleções de domingos. A propósito, em dois dos três domingos que passaremos em solo europeu, transmitiremos, ao vivo, as palestras abertas ao grande público, em 20 de setembro e 4 de outubro. No outro dos três, o dia 27 de setembro, não proferiremos a conferência domingueira, por estarmos no ponto máximo de nossa vivência em grupo.

(ESMC) – No ano passado, houve experiência similar, de visita, em grupo, a santuários de Nossa Senhora na França. O que você poderia destacar de diferente neste ano?

(BTA) – Em 2025, realizamos também um evento paralelo, na sede da ONU Genebra, participando do maior fórum mundial de direitos humanos. Os(as) Mestres(as) Espirituais me informaram, por aqueles dias, que, neste ano de 2026, não teríamos essa tarefa a ser executada e deveríamos nos ater à parte da peregrinação a santuários de Maria Cristo na França. O curioso, porém, é que, mesmo focando apenas nessa face de visitação arquetípica a “solos sagrados”, fomos orientados a não incluir a passagem por Paris, onde aconteceram as aparições de Nossa Senhora a Catarina Labouré.

(ESMC) – Você conhece a(s) razão(ões) para isso?

(BTA) – Pelo que compreendi das diretrizes passadas pelos Guias Espirituais, estaremos provisoriamente na gleba sofrida do “antigo mundo” muito mais para um período de imersão espiritual – a tal viagem para dentro de nós mesmos(as) – do que para fazer um périplo por “pontos turísticos marianos”, respeitabilíssimos embora. Isso dizemos sem que tenhamos estabelecido qualquer restrição turística às dezenas de outros(as) participantes dessa nossa viagem de temática mística. Pelo contrário, costumamos estimular que as pessoas aproveitem a oportunidade de enriquecimento cultural que uma circunstância como esta propicia. Paris, por exemplo, compreendo seja uma espécie de museu a céu aberto.

(ESMC) – Então, você não passará por Paris neste ano?

(BTA) – Não.

(ESMC) – Vai ficar três semanas na França e não vai visitar Paris? (Risos)

(BTA) – Isso mesmo: nesta viagem, não visitaremos Paris (risos sem graça). Passo muito mal (psicologicamente) em museus e em certos lugares históricos. Coisa típica de médiuns muito ativos(as)… Só vou a certos ambientes ou mesmo atravesso aglomerados urbanos mais apinhados, quando a isso sou conduzido pelos Espíritos Guias.

(ESMC) – E como você está, neste período? Sabemos que não é nada fácil a exposição diante da multidão (e há décadas), como médium que canaliza a Faixa da Supraordenação Benevolente – como costuma dizer a veneranda Orientadora Espiritual Eugênia-Aspásia…

(BTA) – Vou me limitar a partilhar o meu tempo de sono, nos últimos dias. 1h10min no domingo; 7h e alguns minutos, na segunda-feira (um dia de normalidade feliz); 5h15, na terça-feira; e hoje, quarta-feira, 3h25. Envergonho-me um pouco em revelar particularidades desse meu problema perene – padeço-o desde tenra infância –: a dificuldade em conciliar sono e mantê-lo. Preocupo-me por eventualmente insuflar, em quem me ouça ou leia, vícios no campo das falhas concernentes ao repouso. Entretanto, conforta-me lembrar das aflições significativas que padecia Chico Xavier, nesse mesmo âmbito – o grande modelo de mediunidade e conduta cristã dizia dormir, de ordinário, 4 horas por noite ou menos.

(ESMC) – E você proferiu aquela palestra tão rica e leve (do domingo 13 de setembro), com temas que brotaram na hora, com apenas 1h de sono?

(BTA) – De minha própria perspectiva, eventos como esse – de forte privação de sono, enquanto canalizo os Seres Celestes que se dignam, misericordiosamente, influenciar-me, diante de centenas de pessoas presentes no auditório (sem contar o público que nos acompanha à distância), praticamente sem acidentes dignos de nota, na qualidade das ideias e em seu desenvolvimento – interpreto como das mais fortes evidências do quanto os(as) Mestres(as) Espirituais têm alto percentual de participação em meu trabalho. No último domingo, estava não só exausto, mas triste também, pelas intercorrências habituais de quem orienta pessoas. A partir do lançamento de nosso programa de TV, em janeiro de 1994, e de lá para cá, progressivamente refinando-se o processo, percebo os Espíritos Amigos se conectarem mais a mim, realizando o que vejo como maravilhas, por meu intermédio, com baixo crédito atribuível a mim, indivíduo com inúmeras limitações e defeitos.

(ESMC) – A perda de sono é resultado de ataques de forças contrárias ao bem ou você nota auxílio dos Bons Espíritos nesse sentido?

(BTA) – Esse tema é extremamente controverso. Noto um pouco das duas causas para dormir a menos. Os(as) dotados(as) de maior sensibilidade mediúnica somos mais “perturbáveis” pelas forças do mal, provindas de dentro ou de fora de nós próprios(as), na mesma medida em que podemos captar mais as irradiações do Plano do Bem. Precisamos exercitar, portanto, com muito mais critério, a disciplina da vigilância, da autocrítica, da busca de discernir a melhor escolha de sentimentos e formulação de raciocínios, a cada momento. Somos mais “porosos(as)” mentalmente, digamos assim. Pela minha experiência, a privação de sono (sem que esteja sentindo sono: eis a chave para o efeito que aqui descrevo) nos deixa em condição mais fronteiriça entre estados alterados de consciência – ou seja: acentua-se uma característica que se pode dizer existente em médiuns, em graus diversos. Em convergência com essa leitura intrapsíquica, tenho suspeitado, ano sobre ano, que os Bons Espíritos preferem que eu não vá com muitas horas de sono cumprir uma tarefa de vulto, perante a coletividade, como proferir nossos vídeos documentais produzidos ao vivo, quais as palestras de domingos. Não promovem uma grave limitação de sono, mas me ajudam a acordar com, digamos, 5h, em vez de completadas 7h de repouso. Reitero: isso é polêmico e não pretendo estabelecer regra para facilitação do transe, mesmo porque noto que a maior parte dos(as) médiuns se embota com o cansaço físico ou, pior: “escorrega” na sintonia, intoxicando-se mais com emoções e energias relacionadas à irritação, ao medo, à paranoia. Todavia, mais uma vez me conforto no que Chico Xavier declarou a respeito da orientação que recebia de Emmanuel, seu Guia Espiritual: que ele não deveria dormir mais que 4h por noite… “para não deixar o corpo mal acostumado”.

(ESMC) – Mais algo deseja acrescentar a essa nossa conversa?

(BTA) – Não. Obrigado pelo ensejo de partilha e interação fraternas.

(Entrevista concedida em 16 de setembro de 2026.)