Espírito Eugênia-Aspásia – Sim, vamos começar a mensagem coletiva. Gostaria que, hoje, mais uma vez, você travasse um diálogo comigo – faria isso, meu filho?
Benjamin Teixeira de Aguiar – Sobre que desejaria falar, querida Eugênia?
EEA – Sobre adolescência e drogas, em particular.
BTA – Certo. Que desejaria pôr como centro da conversa?
EEA – A necessidade de o ser humano viver estados alterados de consciência.
BTA – Uhm… interessante…
EEA – É o que leva, em grande medida, os jovens a buscarem essas realidades alternativas.
BTA – Que fazer então?
EEA – Evitar que elas vivam sem o auxílio de uma religião e, principalmente, das práticas oracionais e meditativas que lhe são correlatas, a fim de que canalizem, para tais práticas, a sua necessidade neurofisiológica de fazer os estados alterados de consciência.
BTA – Vejo duas questões nisso, Eugênia: justamente a resistência dos adolescentes a se engajarem em atividades dessa natureza, e, por outro lado, o fato de que parece que a religião supre outro facilitador da introdução ao reino sombrio das drogas: a falta de sentido para viver.
EEA – Exatamente, esse é lado filosófico da indução à espiritualidade: um norte para os normalmente desnorteados adolescentes. Quanto à resistência dos jovens a se aproximarem de exercícios ou atividades espirituais, urge que surjam formas persuasivas de se induzi-los a se integrarem num grupo religioso. Ninguém diz que os jovens não conseguem ser mantidos em sala de aula, e, por isso, desistimos de mandá-los à escola. Igualmente, devem ser mantidos nos cultos religiosos. Que eles tenham direito a escolher – se for o caso – outra religião, mas que não deixem de frequentar, ao menos uma vez na semana, a sua igreja ou templo e, todos os dias, praticar suas orações, mantras ou meditações. Os pais devem vigiar tais disciplinas, do mesmo modo que exigem, sem espaço a negociações, que os garotos estejam em sala de aula e realizem seus deveres de casa. Vivemos uma época de excessivas liberdades. Ninguém discute, porém, quanto à necessidade de se impor a frequência à escola para crianças e adolescentes. Por que, todavia, a religião seria menos importante, sobretudo numa era de tanta dubiedade moral, de tanta incerteza e licenciosidade? Os pais devem corrigir, imediatamente, seu foco sobre a orientação religiosa a seus filhos. Como disse: pode-se até dar o direito ao filho de escolher outra religião ou outro culto, mas ele não poderá ter a liberdade de escolher não ir a um culto, qualquer que seja, uma vez na semana, nem também deixar de fazer suas práticas oracionais em casa, todos os dias, ainda que sob vigilância de seus pais.
BTA – Nossa… Eugênia… Isso vai criar muito conflito entre pais e filhos!
EEA – Não diferentes daqueles que concernem a exigir que os filhos vão para a escola. Ainda que o menino se sinta injustiçado, porque os pais de outros colegas não façam exigências dessa ordem, seria de suprema e indiscutível importância que escolham um culto, uma igreja, um certo sacerdote, para ser seu oficiante preferido do rito divino. Mas não pode haver tergiversação quanto a esse capítulo essencial. Dor muito maior surgirá, caso não imponhamos tal disciplina como inexorável. Poderemos sofrer horrivelmente, tendo que conduzir nossos filhos a clínicas de desintoxicação ou, quiçá, retirando-os de delegacias de polícia.
BTA – Eugênia! Você está indo contra a política que tenho desenvolvido em nosso grupo. Eu próprio costumo dizer aos pais de adolescentes que deixem seus filhos livres para não ir às palestras, se não quiserem. Creio que talvez nosso trabalho seja dirigido mais a adultos, e que pode ser muito tedioso para eles.
EEA – Você consegue imaginar fazendo isso com seus filhos, caso os tivesse?
BTA – Não.
EEA – E por quê?
BTA – Porque, apesar de ter à mão uma alternativa não tão adequada, melhor algo que conecte um pouco que seja o jovem a Deus do que nada.
EEA – Ah-ah! Incoerência. Não pode propor aos pais algo que você não faria com seus filhos! Além do quê, existe o grupo de jovens, não só de seu grupo, como de todas as instituições religiosas relativamente organizadas. Então, não existe desculpa para seu absenteísmo. Trata-se de uma negligência grave, da parte dos pais, principalmente.
BTA – Eu não havia pensado nisso antes!
EEA – Então…
BTA – Tudo bem, a partir de hoje, corrijo o sistema. Algo mais você gostaria de dizer sobre o assunto?
EEA – Que todas as atividades relacionadas à religiosidade, como o Culto do Evangelho no Lar, trabalhos voluntários ou caritativos, a tudo os jovens devem ser concitados a participar. Em cada lar, porém, os pais podem negociar o que é obrigatório e o que é facultativo. Digamos que as atividades solidárias – pena termos que convir com isso – sejam opcionais, porque devem ser feitas de coração; e que a frequência aos cultos semanais (1 ao menos), seja obrigatória, porque se trata de uma espécie de aula, e pode-se ir à aula por espírito de obrigação e não constituir isso nenhum tipo de inconsistência ou incongruência.
BTA – Gostaria de ventilar algum daqueles tópicos conhecidos fomentadores do uso de drogas entre adolescentes, como falta de diálogo entre pais e filhos, de convívio entre eles, etc.?
EEA – Não. Isso já tem sido sobejamente discutido, e todo pai de hoje já sabe que é imprescindível manter um profundo nível de intimidade com seus filhos, para dar-lhes todo amor e orientação de que carecem nessa tão crítica fase de suas vidas. Essas atividades de culto religioso, inclusive, compõem tais rotinas felizes que deve haver em família. Preferimos focar este tópico, porque talvez seja o mais importante, por conferir propósito e significado à existência, e, no entanto, tem sido criminosamente negligenciado por estudiosos e especialistas da área.
BTA – Que mais, Eugênia?
EEA – Estou satisfeita. Mas, entenda-se, como já que disse quando falamos sobre assuntos relacionados ao sexo/adolescentes, no diálogo que travamos ontem: fundamental que se apliquem tais propostas e não apenas que se concorde com elas, visto que estamos tratando do futuro e da felicidade de nossos filhos e ser esse assunto de basilar importância.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)
28 de dezembro de 2003