
Benjamin Teixeira de Aguiar
pelo Espírito Eugênia-Aspásia
Parcialmente afastado do organismo de matéria densa, um medianeiro amigo nosso, que desdobra importante tarefa de extensão coletiva, foi levado a instância de elevada frequência do plano extrafísico de existência, conduzido por seus Orientadores Espirituais a um córrego de águas translúcidas, em meio a paradisíaco bosque. A certa altura, estupefato, divisou a Figura Sacrossanta do Cristo Jesus, que lhe aguardava a chegada, apoiado prosaicamente em grande ramo de árvore, em extrema demonstração de humildade.
Sem qualquer laivo de “pompa e circunstância”, o Mestre dos mestres fez sinal para o intermediário entre os dois mundos, no sentido de que se sentasse ao Seu lado, sobre aquele grosso galho retorcido e rebaixado da árvore, que servia à guisa de banco. Envolvendo-lhe o ombro paternalmente, com o braço direito, enquanto, com desvelos de carinho, recostava Sua cabeça na do pupilo encarnado, fronte na fronte, declarou o Senhor, com naturalidade e entono afetuoso:
– Você nos (1) havia interrogado se algo gostaríamos de lhe dizer, em caráter de orientação, a respeito de suas atividades de serviço ante a multidão. Vim lhe responder pessoalmente às questões…
Fazendo o possível para conter as emoções intensas, a fim de que não fosse precipitado de volta ao veículo de carne (2), o porta-voz dos professores da Espiritualidade desfechou diversas indagações, a princípio timidamente, mas a pouco e pouco, com o auxílio do Ilustre Interlocutor, que lhe lembrava temas importantes, desinibiu-se, a ponto de, embora criterioso, render-se à dúvida sã, por não se julgar merecedor da deferência honrosíssima de conversar intimamente com Vulto tão venerável. A essa hesitação interior, respondeu o Sagrado Guia da humanidade terrena:
– A Obra que você realiza é de interesse coletivo, milhões de filhos e filhas de minh’Alma são alcançados pelo seu trabalho, que favorece esclarecimento e conforto de massas incontáveis, ano sobre ano, há mais de dois decênios.
E, após breve pausa:
– Além disso, assinalamos a parcela de nossa Obra confiada às suas mãos, de um modo que não deixa margem a dúvidas sobre a Procedência da missão que lhe designamos. Está evidenciado, portanto, que o que você criou no domínio físico da Terra, em parceria com seus Amigos espirituais, partiu de nossa Esfera de Ação.
Após breve silêncio, preenchido por vibrações de paz e harmonia indescritíveis, foi o homem fora do casulo orgânico quem ousou interrogar, novamente:
– Meu Senhor, devo continuar com o trabalho mediúnico como o venho fazendo, publicamente?
A resposta não se fez esperar:
– Sim, deve prosseguir em seu ministério, todos os dias, sem qualquer espaço a vacilações. Providenciaremos suprimentos de força e inspiração, auxiliando-o nas adversidades que vem enfrentando, advindas dos interesses contrariados de muitos, inclusive em meios religiosos. A Obra de revelação gradativa para a humanidade, que tem seus representantes em cada época, não pode ser detida. Naturalmente, não será bem-vista pelos setores reacionários da sociedade. Mas os conservadores e hipócritas de toda cultura e lugar têm seu limite de ação, definido pela Divina Vontade, e compõem, sem o saber, a orquestração do crescimento coletivo, conquanto não obtenham merecimento algum por isso, porquanto corporificam as forças da resistência, contrárias ao bem, oferecendo, assim, involuntariamente, ocasião para que se fortaleça, aprimore e aprofunde a qualidade dos benefícios ofertados pelos servidores do Alto. Lembre-se do que afirmei outrora: Meus discípulos estão no mundo, mas não são do mundo… (3)
A conversa distendeu-se por 1 hora e 6 minutos, de conformidade com o tempo relativo ao plano físico ou, como poderíamos melhor dizer, de acordo com o tempo que corria para o corpo do líder espiritual, em estado de projeção da consciência. No momento do retorno ao instrumento biológico de manifestação, o companheiro encarnado recebeu especial tratamento energético no aparelho cerebral – incluindo sua contraparte espiritual –, de molde a se recordar, com clareza, do diálogo sublime.
Não recebemos autorização para entrar em minúcias ou em temas adicionais que foram parlamentados entre o Senhor da Verdade e Seu discípulo dos tempos modernos. Todavia, vale a pena lembrar, para “quem tiver olhos de ver e ouvidos de ouvir” (4): há quem fale em Nome do Céu, há quem aponte a rota da bem-aventurança, no contexto dos dramas, desafios e complexidades dos dias atuais.
Cabe a cada um(a) averiguar, por si, seguindo sua própria consciência, obviamente, quem lhe desperta a percepção do que Deus deseja das criaturas humanas, porque a Vontade do(a) Criador(a) necessariamente constitui a felicidade “perfeita” para o indivíduo, ou seja: o mais alto patamar de realização pessoal e bem-estar que alguém pode atingir, no estágio evolutivo em que se encontre.
(Psicografia de 3 de dezembro de 2014, em New Milford, Connecitcut, EUA.)
(1) O Grande Rabi utiliza o plural em Sua Fala, em referência à Faixa de Consciência dos Cristos de Deus, entre os Quais Ele foi Aquele que Se constituiu Voz da Verdade para a Terra. Como Ele Mesmo asseverava, em Sua estada no mundo material, Ele e o “Pai” eram “Um-Só”, assim como Maria Santíssima, Sua e Nossa Mãe, revelava status espiritual idêntico, sendo responsável, inclusive, por encetar Seu Messianato, no episódio das Bodas de Caná.
(2) Emoções intensas, boas ou ruins, promovem, por mecanismo de defesa do sistema corpo-mente, a volta imediata do espírito a seu escafandro de matéria, qual ocorre, por exemplo, a sonhadores que despertam, sobressaltados, de pesadelos pavorosos ou vivências oníricas desagradáveis que ultrapassem o limite pessoal de suportação.
(3) João 15:19.
(4) Mateus 13:16.
(Notas da Autora Espiritual)
