Se te sentes estropiado e indigno da seara do Cristo, recorda-te de que Jesus procurou os doentes, os corrompidos, os caídos e não almas virtuosas ou santas para comporem seu séquito de colaboradores mais próximos. Se o Mestre houvesse vindo para os sãos, então não seria Ele o Médico dos médicos, como foi.

Se te sentes volúvel, nas emoções e nos sentimentos, relembra a convertida de Magdala (Maria Madalena), e, assim, segue no esforço de disciplinares teu mundo interior.

Se te sentes vacilante, em matéria de compromisso espiritual e coragem, ante as provações da vida, reporta-te, internamente, à imagem de Simão Pedro, que era a pedra viva da fé, dito pelo próprio Jesus; e que, arrependendo-se de seu ato de fraqueza moral, renegando o Mestre no momento supremo, tornou sobre os próprios passos e doou toda a sua vida, após o deslize injustificável, ao querido rabi da Galiléia, ressarcindo-se, de todo, em magnífica obra de extensão do pensamento cristão pelo mundo.

Se te sentes irascível e contundente como Paulo, não te esqueças de que o pregador de cidade de Tarso conseguiu converter toda sua energia, para a missão grandiosa de disseminar o Evangelho por todo o mundo mediterrâneo da época, pelo que devemos a sobrevivência das ideias cristãs até os nossos dias.

Se te sentes ambicioso como João e Tiago, que almejaram sentar-se ao lado de Jesus, no Reino dos Céus, rememora que, após anos de expiações e desafios difíceis, consumiram todas as partículas de vaidade, transfundindo-as em sabedoria e espiritualidade.

Se te sentes preocupado com as convenções do mundo e as posses materiais, relembra-te do jovem rico que procurou o mestre, e que saiu cabisbaixo, ao receber do querido Senhor a proposta de vender suas propriedades aos pobres e segui- l’O, sem mais nada. Ele também regenerou-se, em futuras reencarnações, transcendendo apegos e, enfim, descobrindo o reino dos céus, na dedicação ao próprio ideal.

Se te sentes, por fim, egoísta e comodista como Pôncio Pilatos, que mesmo sabendo da inocência de Jesus, “lavou as mãos”, para não se comprometer, saiba que até o governador romano da Judéia teve sua redenção mais tarde, em porvindouras existências físicas, devotando-se à salvação de muitos, das trevas da ignorância.

Podes te sentir pouco e até seres, de fato – o que todos somos. Mas, ante o Mestre dos mestres, não te esqueças de que Ele é a fonte de toda força e luz, para o orbe terreno, em nome de Deus, de modo que, ao reverso de te espavorires, ante os desafios do mundo, reergue a cabeça e contempla, seguro e confiante, o horizonte novo que desponta, na alvorada de uma nova era para ti: de consciência renovada, de um padrão mais alto e melhor de percepção e leitura da realidade.

Hoje, és Simão Cirineu, aquele que carregou sobre si o peso da cruz, compelido a isso por injunção do “destino”, forçado a tanto por oficial romano, para assim descansar os ombros chagados de Jesus, a fim de que o Condenado Sublime não viesse a morrer antes mesmo de chegar ao Gólgota. Saibas, porém, que a dor acerba da sobrecarga muito valeu ao Cirineu, em futuras reencarnações, com o crédito cármico excepcional de ter colaborado diretamente com o Cristo, em Seu momento de suplício extremo, e, assim, medita que tua cruz, ainda que compulsória, também te trará dividendos de benefícios e felicidade.

Sim, erraste sucessivas vezes, como todo ser humano na Terra, mas, se até Judas, o Iscariotes, redimiu-se gloriosamente, em luminífera missão no século XV (*), como te supões caso perdido e irreversível? Pensa que preocupante seria, ao reverso do que cogitas, pensares-te adequado e especial para a tarefa de servir a Deus no mundo, estejas em que posição estiveres, ainda que tão-somente servindo um copo d’água potável para um passante sedento. Para aqueles que se julgam bons, generosos e melhores que os outros, relembra-te do que disse Jesus, fazendo alusão à classe sacerdotal de Seu tempo… e de todos os tempos: “Hipócritas: sepulcros caiados – brancos por fora, cheios de podridão e rapina por dentro”. Ou, ainda mais duramente: “Raça de víboras!”. Se te sentes pecador e impuro, estás no padrão do publicano que entrou no templo para pedir perdão por seus pecados, sem se sentir digno sequer de levantar os olhos ao altar. Enquanto isso, um fariseu, com vestes pomposas e gestos ainda mais empolados, dizia, para Deus: “Obrigado, Senhor, porque não sou como aquele homem pecador”. Disse o Mestre sobre ambos que o publicano, humilde, saiu perdoado; e o sacerdote, pernóstico, sem ter diminuídas suas culpas.

Lembra-te, por fim, de que, enquanto outras personagens da história cristã demandaram vários séculos para efetuarem aprendizados elementares, na senda da espiritualidade e, assim, resgatarem-se completamente do passado de primitivismo e brutalidade, tu, ao estares sob os auspícios desta nova era de acontecimentos, processos e evolução céleres, poderás estar, logo logo, compensado dos desvios de rota em que incorreste, e avançando, resoluto, para tarefas muito melhores, com a consciência em paz.

Hoje, como todo dia, é oportunidade de renovação para teu espírito. Aproveita a hora que passa, e semeia, semeia… semeia paz e felicidade, pela gleba fértil dos corações alheios, com que cruzares caminho… porque Deus o(a) estará seguindo, por toda parte, multiplicando bênçãos e graças, por tuas veredas de homem, de mulher de bem.

Benjamin Teixeira de Aguiar (Médium)
Eustáquio (Espírito)
12 de janeiro de 2004

(*) Segundo Chico Xavier, como Joanna D ‘Arc.

 (Nota do médium)