Ao te sentires entediado e sorumbático, pensa no trabalho e ocupa-te, de imediato, em algo útil.
Ao te sentires na iminência do colapso nervoso, não te deites a curtir os volteios sinistros do desespero, que, assim, enredar-te-á, inapelavelmente. Levanta, incontinenti, do catre de angústias a que te relegaste, e, assim, faze algo de nobre e benemérito por alguém. Visita uma instituição para idosos ou crianças órfãs. Confecciona roupinhas para desvestidos. Faz ginástica (um grade bem para ti mesmo). Conversa com amigo querido. Desabafa com tua esposa. Alegra-te com teu filho. Conta a última piada da hora e regala-te com abraços e beijos, carinho e atenções mil para com aqueles que amas.
Não precisas de menos, mas sim, provavelmente, de mais trabalho. Mas de trabalho de forma adequada, ajustado a tuas predisposições personalíssimas, tuas inclinações vocacionais, teu ideal.
Permuta os afazeres estafantes, por outros, mais suaves, nem por isso, porém, menos produtivos ou necessários.
Ao findares, assim, teu dia de trabalho, lê um pouco ou escolhas um canal instrutivo de Tv, ao reverso de te confiares às inúmeras banalidades que preenchem as modernas programações televisadas.
Se fores assistir a certo título de cinema, opta por um que tenha um tom mais edificante e menos constrangedor, angustiante ou simplesmente viciante.
Se fores com teus filhos a entretenimento em família, cogita nas alternativas que favoreçam a interação de uns com os outros, qual um piquenique ou um momento à parte, em praça pública pouco movimentada. O diálogo e a troca de amor, assim, devem ser largamente oportunizados e fomentados.
Antigo ditado brasileiro diz: “Enquanto descansas, carrega pedra.” Sim, enquanto repousas a mente de certa atividade mais estressante, vê que dediques teu tempo a outra, mais leve e agradável, mas que, dentro do possível, acrescente-te algo ao espírito, agregando-te valores, conhecimento, ideias, inspiração. Obviamente, nem tudo deve ser rigorosamente construtivo. O ócio puro e simples pode ter espaço, como forma de desopilar a mente congestionada de tensões variadas. A futilidade, assim, que propicia, pela desintoxicação psicológica que opera (como o humor sadio), a viabilização do essencial, tem certo caráter essencial. Mas que essa trivialidade, ao menos, não seja nociva, se não puder ser positiva. Quem abusa de narcóticos, ainda que de drogas lícitas, nunca estará fazendo opção sensata. O ócio é hoje badalado como grande novidade, pelo famigerado sociólogo do trabalho, o italiano Domenico DeMasi. Contudo, observa que o conceito fundamental, apresentado pelo grande estudioso da terra de Dante Alighieri, é de que o trabalho do futuro sintetiza serviço, prazer e aprendizado em uma só dinâmica, justamente porque, nos competitivíssimos mercados modernos, somente quem tiver muito “pique” para se dedicar tão de alma ao ofício que tenha escolhido terá, eventualmente, vantagem competitiva sobre os demais concorrentes.
A vida passa muito rapidamente, amigo. Enquanto tu ris ou te refestelas, outros produzem e crescem. Não desperdices as oportunidades preciosas e irreparáveis de fazeres hoje o melhor. Pensa na singularidade do momento que passa e faz, assim, o teu melhor agora, em todos os sentidos, inclusive no campo de tua dita pessoal, porque nenhuma vitória do mundo jamais substituirá a ventura de teres um ninho de amor e paz, em familiares queridos de quem sejas também estimado.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eustáquio (Espírito)
13 de novembro de 2003