Já se falou e se tem falado muito sobre o amor. Mas, nunca é demais repetir, prezado leitor: ouça a voz do seu coração. Na voz do amor, encontrará você a voz da verdade: a voz que acalma, que pacifica, que mostra caminhos de solução e de felicidade, em todos os sentidos, mas, principalmente, nos interiores, os fundamentais, porque de nada adiantam conquistas externas, sem bem estar íntimo.
Sei de suas dúvidas e de suas desconfianças, quanto à vivência do amor. Já foi atraiçoado, sofreu decepções cruéis, foi explorado ou desdenhado por dar o melhor de si. Isso, todavia, faz parte da condição humana, um exercício importante por que se tem que passar, a fim de se desvestir a vivência do amor de todos os elementos egoicos de interesse pessoal. Sem a experiência das graves ingratidões e incompreensões, não se depura a alma, até o nível da incondicionalidade nos sentimentos. Por isso, ao reverso de apor as decepções como justificativa para não continuar seu ministério de amor, continue-o, justamente por esse motivo. Em meio ao pesadelo da falta de compensações e de apoio para o seu coração é que ele mais livremente pode exprimir sua mais genuína essência, ativando-a e fazendo-a avultar-se, rumo ao infinito, à angelitude que, mui embora distante por ora, aguarda-o para o futuro. E se a santificação é um ideal distante que não lhe representa objetivo de vida, melhor ainda: persista assim mesmo, em seu projeto de amor sem retribuições, porque estará se fazendo cada vez mais forte, autossuficiente e seguro do que quer, do que é, de para onde está indo, independente de quem quer que seja, porque não viverá mais mendigando afeto de ninguém, como lamentavelmente vive o ser humano médio da Terra, e, muito pelo contrário, será a fonte aonde todos irão buscar a linfa fundamental do amor, que você terá de sobra, para si e para os outros.
Deus não seria justo se castigasse ou prejudicasse aqueles que vão à frente, no carreiro evolutivo. Destarte, quando mais pensa estar em desvantagem ou sofrendo retaliações injustas, por dar e se dar e nada receber em troca, está, em verdade, sendo propelido à maior de todas as conquistas: da total liberdade, do pleno poder sobre si, longe de viver à mercê de receber amor de quem quer que seja, porque terá descoberto, dentro de si, a fonte de estímulo e de estima de que mais toda criatura humana carece: a automotivação e a autoestima.
Não desista, jamais, do amor. Quando todos lhe derem as costas, e se vir só, após haverem desfrutado do sangue vertido de seu próprio coração, eleve os olhos ao céu e contemple o firmamento estrelado: cada pequeno pirilampo, suspenso no vazio escuro, constitui uma estrela distante, com mundos superiores a gravitarem em torno de si, e, como tal, imagine a imensidão de anjos que o contemplam, quando mais se sente só…
Assim, enxugue suas lágrimas, alma boa e abnegada, porque, quando mais sozinha e triste se sentir, as próprias Forças do Céu estarão a ouvi-la, carregando-a e embalando-a em seu regaço invisível, sustentando-lhe os passos, na dura jornada pelo mundo terreno, até a total consumição de seu corpo e sua definitiva libertação…
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
8 de janeiro de 2004