Lidando com suas questões existenciais, sejam grandes crises ou dilemas simples, prime pela simplicidade, para não pecar pela falha fundamental de avaliação do que seja prioritário, perdendo-se nos meandros de dramas neuróticos e outras irracionalidades, como surtos histéricos e processos autossabotadores.
Se você está à beira do colapso nervoso, pare tudo e descanse. Se não relaxar, por maior que seja o problema, realmente ele não terá solução, porque você estará eliminando suas únicas chances de desfazê-lo sensatamente, ao propiciar a perda definitiva de suas últimas partículas de juízo, no vórtice da tensão e da ansiedade progressivas.
Não pretenda ser o “salvador da pátria”, em nada. Na vida profissional e agora também na vida pessoal, homens e mulheres (eles mais naquela; elas mais nesta) se sentem obrigados, social e culturalmente, a agir como heróis. O verdadeiro herói, todavia, começa a sê-lo no momento em que reconhece suas próprias limitações; e, amiúde, heroicamente renuncia a vencer, para vencer-se: vencer seu ego, suas vaidades infantis e seu desejo de supremacia sobre os outros.
Não tenha medo de parecer tolo, quando for ignorante em algum tema (todos o são em vários). Estupidez é tentar parecer dominar assuntos que se desconhece. Quem entende da temática e ouve o “enrolador” logo nota o engodo e não só deplora a personalidade do indivíduo, como passa a não confiar em seu caráter. Assim, pelo afã exagerado de parecer competente, além de passar por estúpido e ignorante, alguém parece indecente e indigno de qualquer crédito.
Se você anda triste, trate de verificar em que medida deve corrigir suas expectativas de felicidade e sucesso. Às vezes, põem-se metas inalcançáveis ou vê-se como meta o que não pode ou não deve ser objetivo de vida. Verifique se você foca o essencial, ou um dia, talvez tarde demais, descubra que subiu a escada errada, e não há mais tempo para voltar e recomeçar o trabalho. Alguém que deseje ser rico, que tenha a aquisição de patrimônio como um fim existencial, está, sem dúvida alguma, tremendamente equivocado, por exemplo. Talvez quando a esposa se divorciar dele (levando metade da riqueza acumulada, é claro), junto aos filhos, que estarão ansiosos por sua morte, a fim de herdarem a fortuna, ele note que está sozinho e infeliz, enquanto o dinheiro, que não pode lhe fazer companhia, afora permitir o incômodo de alguns aduladores intratáveis e fomentar o ódio e a inveja de muitos, talvez até lhe fuja das mãos, por uma fatalidade do destino, tão comum na super-volátil área financeira-econômica.
Não viva em função de esperar um prêmio depois da morte, pelo que estiver fazendo. Isso é tão infantil como a criança que estuda apenas para ganhar o presente de Natal. Se você não corrigir essa postura altamente superficial de encarar a vida, surpreender-se-á sendo indigno, quando mais se sente ético; e prostituindo-se, quando se julga agindo por espírito de sacrifício pessoal. Faça alguma coisa porque seu coração e sua consciência pedem que faça e não porque será punido ou premiado, eventualmente, em uma vida futura, caso faça ou deixe de fazer. Seja inteiro, seja íntegro, seja plenamente honesto consigo mesmo, porque o primeiro item da verdadeira moralidade começa com a sinceridade de propósitos, com a transparência, com a autenticidade. Se você não for você, não será nada, não será digno de qualquer louvor e muito menos de premiações especiais.
Por fim, aliste-se nos círculos da verdadeira fé, que vê o serviço fraterno como um modo justo e excelente de encontrar a verdadeira felicidade. Psiques realmente amadurecidas compreendem a atividade solidária, o serviço em função do coletivo, como os maiores motivos de realização pessoal. Somente corações mesquinhos e mentes estreitas vivem apenas para si. Se você quer demonstrar para os bons observadores, ou provar para si ser realmente desenvolvido, volte-se para algo além de si. Até mesmo no ambiente frio e quase cínico do mercado de trabalho, nos países mais civilizados, reconhece-se que o serviço voluntário indica um profissional de maior nível, mais confiável, ético e apto a vencer desafios, nas lides do trabalho.
“To be or not to be, that’s the question” – afirmou o grande filósofo poeta (*). Ou você é – e só pode ser você mesmo – ou não será nada, nem ninguém, nunca, aqui ou em qualquer mundo existente.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Temístocles (Espírito)
12 de outubro de 2003
(*) “Ser ou não ser, eis a questão.” – William Shakespeare.
(Nota do Médium)