
(Espírito Eugênia-Aspásia) – Gostaria de publicizar uma conversa entre nós dois, a respeito da função mediúnica.
(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Em que você gostaria de nos instruir a respeito do tema?
(EEA) – Lembrar alguns tópicos fundamentais, amiúde esquecidos por quem já os conhece, ou perigosamente ignorados, por quem não se preocupa em estudar o assunto tão complexo e delicado, lançando-se a perigosas aventuras, numa área que, para a maior parte dos contingentes de encarnados na Terra, é fronteiriça à imaginação sobre-excitada (e seus ardis) e aos transtornos mentais (sobretudo no campo da esquizofrenia). Cabe destacar, outrossim, que aplicar-se ao contato com os habitantes do mundo espiritual, sem o devido preparo, favorece a desastrosa intromissão de criaturas desencarnadas com más intenções, quase sempre articuladas na arte da manipulação, da lisonja barata, da inflação do ego de quem se dispõe a lhes receber as sugestões mentais.
Afora as questões contidas nesse preâmbulo, gostaria de enfatizar três princípios norteadores de qualquer tarefa no âmbito sagrado da mediunidade a serviço do bem.
A função mediúnica, primeiramente, deve estar subordinada à função espiritual. O buscador da Luz tem o dever de pôr as atividades mais relacionadas ao Espírito acima de qualquer vivência de caráter paranormal. Dessarte, práticas de oração ou meditação, em disciplina diária, bem como o refinamento progressivo da escuta da própria consciência, em todo momento e circunstância, devem ter prevalência sobre qualquer empreendimento com o intuito de desenvolver aptidão ao intercâmbio direto com outras dimensões de existência.
Segundo, o aprendiz focará a atenção no propósito, nos sentimentos, nas energias primeiramente seus e, depois, nos que se originem nessa ou naquela personalidade comunicante. Portanto, o aprendiz da mediunidade deve fazer um inventário cuidadoso de suas verdadeiras intenções, em cada movimento de permuta de vibrações com as diversas faixas extramateriais de vida, que devem ser invariavelmente sérias, não egoicas e de tom espiritualizante, ou estará sujeito a se tornar joguete fácil de gênios tenebrosos. Ainda nessa esfera de cogitações, mais do que circunscrever a autoria precisa de quem “fale” ou obter dados objetivos do que esteja “dizendo”, necessário, durante o intercurso com um habitante do domínio extrafísico de existência, que procure, criteriosamente, os signos inequívocos de sua autenticidade como agente do bem, ou, noutra perspectiva: que verifique o plano espiritual donde provenha o espírito com quem esteja interagindo.
Terceiro, havendo falhas na captação dessa ou daquela informação, durante o transe, importante fixar o paradigma de que a mediunidade não tem como fim fazer-se um meio de recepção de conhecimento, e sim de se converter em ferramenta de auxílio para que a pessoa sintonize e comungue psicoespiritualmente com seres em frequência espiritual superior à sua, favorecendo-lhe, assim, a união mística com a Divindade e Seus prepostos, uma finalidade que é tida, universalmente, como a razão de ser ou, no mínimo, um dos escopos centrais de todas as tradições espirituais do Oriente ou do Ocidente.
(BTA) – Mais algo a dizer, Eugênia?
(EEA) – Não. Estou, em nome do grupo de professores que represento, satisfeita por hoje.
(Diálogo mediúnico entabulado em 2 de julho de 2026)
