Sinergia. Para compreensão do universo, precisamos, primeiramente, entender que todas as coisas estão interligadas, no sentido que a “Teoria dos Sistemas”, proposta pelo biólogo canadense Ludwig Von Bertalanffy apresentou, no clássico acadêmico homônimo, publicado em 1968. Para isso, obviamente, existe a necessidade de enxergar a multiplicidade que compõe a unidade. Daí desdobramos os dois primeiros princípios para que cheguemos à verdade e vamos desenvolvendo-os nos seguintes:
1. Visão Múltipla. Sem abertura à multiplicidade, sem ecletismo e universalismo, não se terá uma visão do conjunto, assim ficando-se afastado da totalidade indivisa que constitui os diversos níveis de individualidades interligadas e autocontidas do universo.
2. Visão Sistêmica. Depois de ampliar-se a percepção de uma certa totalidade ao nível mais amplo e profundo possível de partes componentes suas consideradas, deve-se encontrar um fio lógico que crie uma harmonia de conjunto, conferindo-lhe, assim, uma individualidade na coletividade. Podemos entender, aqui, que se trata do paradigma dos organismos ou dos ecossistemas, para a compreensão do universo. O todo é maior que a soma das partes, e tem funções e atributos incompreensíveis numa observação restrita às suas partes constituintes.
3. Visão Evolutiva (Dialética e Caótica). Pares de opostos de todas as ordens, e aspectos conflitivos e diversas da natureza, em combinações complexíssimas, criam uma força geratriz de mudanças e melhorias infinitas. Eis, nesse aspecto dos fenômenos, um dos atributos mais claros do “ser vivo”. A “tendência imanente à transcendência”, como denominaram biólogos evolucionistas da Universidade de Harvard, ou o poder “autopoiético” (autocriador), como dito pela dupla de cientistas chilenos Maturana-Varela.
4. Visão Holística. Hólon, do grego, significa: uma totalidade composta de unidades menores, que, por sua vez, constitui unidade de todos maiores. Nos organismos vivos, percebe-se essa realidade, inequivocamente. Os organismos são constituídos de células, que são compostas de moléculas, e que, por sua vez, compõem tecidos, que compõem órgãos, que compõem organismos, que compõem sociedades, etc. Nos dois sentidos, ao infinito – para o macro ou para o microcosmo – todos os domínios da realidade são compostos de hólons.
5. Visão Holográfica. O paradigma holográfico atesta que cada nível de organização da natureza tem reflexos completos da totalidade, ainda que progressivamente mais pálidos, à medida que se avança para o infinitamente pequeno. Assim, quem se aprofunda muito na observação de alguma coisa ou ser, necessariamente encontra o universo inteiro dentro desse objeto ou entidade contemplados. Eis porque as grandes tradições espirituais unanimemente afirmam que a Divindade habita em todos os seres e criaturas.
Existem, porém, implicações decorrentes desses princípios primários, que acabam por constituir, por si, princípios de busca da verdade, por suas características muito singulares:
6. Visão Inclusiva. Sempre que se exclui alguma coisa de uma perspectiva de observação, reduz-se a percepção, afasta-se da totalidade, e, portanto, da verdade.
7. Visão Espiritual. O último nível das totalidades de totalidades é aquela totalidade que agrega todo o universo a seu Criador. Assim, o que adote uma ótica não-espiritual, necessariamente está, portanto, fugindo à realidade última de todas as coisas: Deus.
8. Visão Humanística. Se devemos viver em espírito de união com os nossos iguais, no nível horizontal, como no vertical da escala dos hólons entrelaçados, precisamos agir como um corpo indiviso, ou seja: vivermos como se toda a humanidade constituísse nossa família, e uma família harmônica e feliz, onde todos dariam a vida por cada um e por todos.
9. Visão Ecológica. Agora consideramos o aspecto vertical descendente das organizações holísticas. Precisamos tratar as escalas inferiores de complexidade na natureza como se fossem parte de nós mesmos, porque, de fato, são. O ser humano é parte do ecossistema em que habita.
10. Visão Mediúnica. Agora postulamos a necessidade de considerar o espectro da verticalidade ascendente da teia de interconexões do universo. Assim como os seres inferiores devem ser respeitados, os superiores na escala hierárquica evolutiva devem ser ouvidos e venerados como guias supremos da humanidade. Assim como uma célula do corpo humano que se insurja contra o todo gera um câncer, um indivíduo que não respeite os interesses coletivos e as inteligências dirigentes dessa coletividade, grandes autoridades do Plano Espiritual, estará gerando um mal de proporções imprevisíveis, tanto para a coletividade, como para si, por consequência, já que faz parte desse todo contra que se subleva. Ouvir a própria consciência e ideais mais elevadas é imprescindível para a busca da verdade, para a consecução da paz e da felicidade.
11. Visão Ecumênica. Qualquer propugnação religiosa sectarista, proselitista ou fanática, obviamente foge à verdade.
12. Visão oni-epistemológica. Qualquer forma de reducionismo da visão total do ser humano a qualquer uma das categorias de pensamento e cognição, quais sejam: arte, ciência, filosofia ou religião, igualmente representará uma certa ordem de dogmatismo fanático, e, portanto deve ser abominada. As quatro fontes de conhecimento precisam ser ouvidas simultaneamente, para que se tenha uma percepção mais fidedigna da realidade.
13. Visão Amorosa. A expressão máxima do sentimento e da espiritualidade é, por conseguinte, o prisma mais completo de compreensão do universo. Assim, o amor incondicional, irrestrito, por todas as criaturas do universo, representa o nível máximo de entendimento de como as coisas, os fenômenos e seres interagem, por que e para que existem.
Existem outros elementos que poderíamos incluir, nessa nossa tabela da verdade, talvez parecendo exageradamente pretensiosa. O objetivo em redigi-la, contudo, foi justamente o reverso: apresentar, didaticamente, um esquema de checagem da realidade, principalmente em situações conflitivas, para que dilemas sejam solucionados, à luz de uma visão fria e profunda, que propicie a manifestação do melhor. Assim, que cada um faça a triagem de todas as suas experiências, em função dessas 13 óticas fundamentais, para garantir que esteja o mais próximo possível da verdade, já que a verdade absoluta, como é axiomático para qualquer criança de hoje, é inatingível à inteligência do ser humano. Se, na avaliação de um certo pedaço de realidade da vida de alguém, algum dos 13 itens for contrariado, há motivo sério de alerta. Se dois ou mais forem feridos, as razões para preocupação são progressivamente maiores.
Que o prezado leitor, porém, compreenda que essa é uma sinopse das sinopses, e que cada tópico que apresentamos para o alcance da verdade tem implicações intricadas e profundas, que evitamos destrinchar, justamente por se tratar este de um resumo dos mais sintéticos que nos foi possível fazer, de assunto tão complexo. Portanto, que não se faça uma confronto perfunctório, quando se for utilizar esta tabela principiológica, para avaliação de alguma situação ou vivência, porque, caso haja resumo no uso desse ultrarresumo, a pessoa facilmente estará se enredando em sérios equívocos ou desvios de rota.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Temístocles (Espírito)
21 de dezembro de 2003
(*) Essa lista de princípios para alcançar a verdade comecei a confeccionar em 1991, antes de completar 21 anos. Na época, pelas minhas naturais limitações de juventude, restringia-a aos três primeiros tópicos. Com o passar dos anos, ampliei-a progressivamente, até chegara 14. Toda vez que ia abordá-la em público, todavia, sentia-me prolixo e anti-didático demais, pela complexidade do tema. Por fim, pedi auxílio ao Espírito Temístocles, o brilhante mentor-analista do Projeto Salto Quântico, para que fizesse uma síntese didática de tal esquema para a busca da verdade e assim pudesse ser ele útil a mais pessoas. Alguns dos antigos itens foram retirados, outros incluídos. Indubitavelmente, o sábio mentor fez um ótimo trabalho, que eu realmente não teria condições de fazer sozinho. Eis aqui, nesta parceria com o inteligentíssimo Temístocles, um extrato de profundos estudos que viemos fazendo, bem antes de reencarnar.
(Nota do co-autor mediúnico)