Nas tradições católicas, celebra-se hoje, aos 19 de março, o dia daquele que por alguns(umas) foi alcunhado “o santo do silêncio”, José, pai adotivo do Cristo da Verdade para a Terra.

Se minha atitude de dizer “sim” ao Anjo1 Gabriel é considerada modelo de virtude, como se qualificaria a postura de José, que sequer sentiu necessidade de verbalizar a afirmativa, mas invariavelmente cumpriu o que se lhe alvitrou, mantendo-se em silêncio por todos os Evangelhos clássicos?2

Ao receber a orientação de primeiramente quebrar a convenção da época, deixando de invocar o apedrejamento da noiva com quem não tivera intimidade sexual e aparecera grávida, para depois, muito além disso, ainda se casar com tal gestante de um Filho que biologicamente não era dele, atendeu, sem pestanejar, a sugestão que soaria bizarra e suicida para qualquer outro homem, inclusive por ter sido captada “apenas” por sonhos. O mais lógico e aceitável, naquelas circunstâncias, seria supor que o comando provinha de um(a) agente do mal e não de Deus.3

A mesma conduta adotou meu companheiro de parentalidade quando ouviu, de outro Anjo, a recomendação de exilar-se no Egito por um tempo, levando consigo Jesus recém-nascido e minha pessoa, a fim de fugirmos da sanha genocida do rei Herodes, assim como posteriormente acolheu, ato contínuo, a nova instrução angelical que lhe propunha regressar ao lar israelita, na Galileia, após a morte do monarca e a consequente extinção do perigo.4

Em nenhuma ocasião, José titubeou, questionou ou mesmo ousou responder. Tão só ouvia, meditava e prontamente obedecia ao que, com sua ultradesperta consciência, reconhecia como determinação oriunda da Divindade.

Precisamos de mais espíritos com semelhante envergadura moral, sobre a superfície desse planeta tão desorientado. As criaturas humanas geralmente se valem de racionalizações diversas para justificar clamorosas fugas aos Desígnios Divinais, sempre que seus interesses mais imediatos, materiais e pessoais são contrariados.

“Que seu sim seja sim, que seu não seja não”5, asseverou Jesus. Que cada um(a) se comprometa, profunda e definitivamente, com a Voz da Verdade em seu coração: seus mais elevados ideais, a vocação de serviço fraterno que intua constituir o propósito de sua existência no plano físico de vida.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
em Nome de Maria Cristo
19 de março de 2017

1. Em respeito aos preceitos humanos de elegância e despretensão que devem nortear uma linguagem escrita mais apurada, empregam-se iniciais minúsculas para as referências à primeira pessoa do discurso, ainda que a Autora Espiritual seja um Cristo e utilize letra maiúscula como uma forma reverenciosa de mencionar outro(s) Vulto(s) Crístico(s). Não se trata, obviamente, de preconceito ou discriminação de ordem psicossexual. Se os papéis se invertessem, com um Cristo masculino na posição de Autor da mensagem e Maria na de Figura citada, a norma se aplicaria igualmente, sem qualquer embaraço. Por sinal, o próprio Nome “Maria Cristo” já constitui uma defesa veemente do empoderamento feminino e um combate permanente à misoginia e ao machismo que pervagam a cultura terrena da atualidade.

2. Lucas 1:26-38.

3. Mateus 1:18-25.

4. Mateus 2:13-23.

5. Mateus 5:37.

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