Há aproximadamente três meses, diante do seleto grupo de amigos que participava da nossa reunião mediúnica, recebi um inusitado e gravíssimo alerta da Espiritualidade. Raríssimas vezes, nos meus 15 anos de prática mediúnica mais ostensiva, recebi avisos de tragédias ou catástrofes de ordem coletiva, mas aconteceu naquela noite. O Espírito Gustavo Henrique, um dos mentores espirituais do Salto Quântico, responsável principalmente por narrações importantes, apareceu a meu lado e avisou-me que, no Plano Superior, planejavam-se eles para a recepção de um grande contingente de desencarnados, de uma só vez, numa tragédia de grandes proporções, no Oriente Médio. Pediu que orássemos e aguardássemos.
Imaginei que duraria algum tempo para ocorrer o anúncio mediúnico pré-cognitivo, especulando que esse espaço de tempo seria de uns talvez seis meses, mas minha preocupação maior era o receio de que fosse essa predição relacionada ao uso de armas nucleares, pelas tensões políticas tão intensas da região, e também pelo fato de que alguns médiuns, naquela reunião marcante, receberam entidades sofredoras com queimaduras, o que entendi poder ser uma alusão simbólica que os mentores desejariam fazer sobre a natureza da catástrofe, já que, normalmente, nessas circunstâncias, não fazem eles referência direta sobre a ordem de cataclismo que está por acontecer.
Foi quando, porém, no dia 26 de dezembro próximo passado, ocorreu a horrenda tragédia do terremoto no Irã, de “proporções bíblicas”, como nominou prestigiado semanário nacional, que atingiu 6,7 graus na escala Richter, com a eliminação virtual de uma cidade inteira do mapa (Bam) e imediatas 40.000 mortes, correspondendo a metade de sua população. Para quem conhece o horror de um terremoto apenas pelos números, fica difícil imaginar o que se passa no instante de um grande abalo sísmico, principalmente próximo ao epicentro do terremoto. Ondas de até seis metros de altura (ondas de terra − não se trata de ficção científica) se formam e passam por debaixo de edifícios e casas, devastando tudo por onde passam… Nessas circunstâncias, em tese, não há para onde fugir. A tragédia é inexorável para onde quer que se corra. Em grandes cidades como Los Angeles e San Francisco, as grandes metrópoles do oeste norte-americano, construídas sobre a mais famosa falha tectônica do planeta, a falha de Sant Andreas, existe uma tecnologia de engenharia civil apropriada para eventos dessa ordem, minimizando as possibilidades de vítimas fatais. Lá, todas as edificações são flexíveis, deslizantes sobre roldanas, com grandes edifícios baloiçando ao vento, como se fossem embarcações − flexibilidade essa que lhes permite assimilar parte do impacto causado pelos violentos abalos sísmicos que se esperam na região, sobretudo o famigerado “Big One”, tão certo que os cientistas afirmam: quanto mais o tempo passa, maior a probabilidade de acontecer, por lá, um terremoto de grandes proporções. Todavia, no Oriente Médio, em meio ao pedregulho de uma região miserável, numa cidade de mais de 2000 anos de existência, não se poderia esperar menos que uma tragédia monumental.
Curioso notar que, de antemão, pela avançada ciência do Plano Superior, os mestres desencarnados puderam prever a proximidade do atrito entre as grandes placas tectônicas que passam pelo subsolo do Oriente Médio e, assim, como não se pode fazer com a Ciência do plano físico, avisaram da catástrofe iminente. Aquelas pessoas, todavia, estavam na região, por ocasião do ciclópico sismo, porque precisavam estar, ou seriam avisadas para não estar, assim como nós, em Aracaju, fomos, do que se passaria por lá. Era o seu momento de desencarne, de, como se costuma falar na terminologia clássica espírita: “desencarne coletivo”.
Nada acontece por acaso. E tudo ocorre para o bem dos envolvidos. Ninguém tenha dúvida disso, porque, não fora assim, estaríamos indiretamente dizendo que o Ser Todo Inteligência estaria cometendo erros ou deixando as coisas acontecerem sem propósito. Devemos fazer sempre a nossa parte, mas, depois de a termos feito, devemos, simplesmente, relaxar e soltar… despreocuparmo-nos dos resultados, porque, efetivamente, não os podemos controlar os efeitos, por completo, do que fazemos, pela massa gigantesca de variáveis envolvidas, principalmente as de ordem humana, com o livre-arbítrio conjugado de inúmeras outras criaturas.
Maravilhoso saber que ninguém desencarna fora de hora, a não ser pelas portas do suicídio. Que estamos na Terra com uma conta certa de tempo, para realizar uma tarefa, efetuar aprendizados, crescer como seres humanos, no usufruto de preciosíssimas oportunidades de interação com nossos irmãos em humanidade.
Existem tragédias coletivas e individuais, familiares, de pequenos grupos. Entendamos, porém, que crises, desastres, acidentes ou grandes catástrofes fazem-nos um lembrete de que essa existência física é passageira e que só as conquistas evolutivas, em matéria de sentimento e de inteligência, importam, e que, cedo ou tarde, teremos que dar conta do aproveitamento do tempo que nos foi ofertado para esta existência temporária no arcabouço orgânico, porque ele, simplesmente… terá um fim.
Nossos corpos morrem um pouco todos os dias. Cada nova noite e cada nova manhã nos aproximam do dia em que deixaremos esse mundo. Isso, porém, que pode soar uma visão de mau gosto para uns, representa, para quem despertou para as questões fundamentais do espírito, uma magnífica perspectiva de eternidade. Afinal de contas, não se trata de uma ótica de mau gosto, mas um dos prismas mais lúcidos e realistas que um ser senciente pode ter, já que a morte do nosso maquinário biológico é das poucas certezas, senão a maior, que podemos ter. Ignorá-la, no momento de estabelecer diretrizes existenciais, valores ou política e filosofia de vida é, no mínimo, estúpido, já que constitui a mais grave forma de alienação (por se tratar de pretender ignorar a maior de todas as certezas).
Somos, todavia… maravilha das maravilhas: imortais! Não no corpo, mas no espírito, nossa essência, nosso centro de consciência. Jornadearemos por outros corpos, nasceremos de novo, vivenciaremos experiências indescritíveis, nas regiões espirituais, nos períodos intermissivos (entre vidas físicas) e, por fim, evoluiremos progressivamente, rumo a níveis cada vez mais altos de consciência, tornando-nos, assim, crescentemente mais felizes e plenos.
As tragédias e os maus acontecimentos, em medidas menores, como falências, divórcios, demissões e acidentes podem nos causar grande trauma. Todavia… todos passam. Vamos todos envelhecer. Nossos corpos de carne fenecerão e apodrecerão como a carne do almoço que ficou fora da geladeira para o dia seguinte. Mas… quem disse que isso é ruim? Essa é a maior de todas as notícias. Eis porque, em grego, a palavra “Evangelho” significa exatamente isso: “Boa-Notícia”, a boa nova da eternidade…
Evidências de todas as ordens, dos estudos de tanatologia, Experiências de quase morte, Experiências fora do corpo, Regressão de Memória, Transcomunicação Instrumental, e toda forma de imensas evidências mediúnicas de vida pós-mortem gritam-nos a grandiosa e fenomenal verdade de que nossos corpos se vão e nossos espíritos ficam vivos… para sempre…
Não precisamos chorar pelos iranianos que morreram na noite posterior ao Natal. Bem sugestivo ser no dia posterior ao Natal, como a aludir ao novo renascimento (Natal, natalício, significa: nascimento), da vida após a morte do casulo orgânico. Morreram como lagartas espirituais, presas à crisálida da matéria, para adejarem felizes, como borboletas espirituais, para bem além das limitações do plano físico de vida. Resta saber, porém, se estavam preparados para tanto. Resta saber, prezado leitor, se você também está preparado para fazer essa viagem fatal, inevitável, mais certa que qualquer certeza que você possa ter…
Benjamin Teixeira de Aguiar
6 de janeiro de 2004