Eis o jardim das crisálidas… A vida obedece a rigoroso programa de desenvolvimento. Às vezes, um salto evolutivo aparece, mas sempre assentado em longo processo de amadurecimento anterior. Sem atender ao espírito de sequência, a ordem da vida pode colapsar, e, assim, sobrevir o pior.

Se você retira a borboleta de dentro do casulo, antes da hora, ela nunca conseguirá voar, e, sem poder cumprir seu papel fisiológico, suas funções normais de subsistência, morrerá antes da hora.

Saiba aguardar frutos maduros, no tempo adequado. Antes, estarão verdes e não só não o alimentarão, como ainda o farão passar mal.

Quando estiver impaciente e ansioso, pense na multidão de almas que gostariam de estar agora encarnadas, e que esperam, sequiosamente, pela oportunidade da reencarnação, apenas para, um dia, quem sabe, acertarem suas contas com a vida, entrando no compasso evolutivo que lhes é exigido, pela idade espiritual que ostentam.

Não cobre frutos maduros de grelos frágeis, nem sombra gigantesca de pequeno arbusto. Por outro lado, aprenda a irrigar, adubar, podar e cuidar de suas “plantas” (projetos e ideais de vida), para que elas cresçam e floresçam da melhor forma.

Sim, você pode estar triste, porque seu jardim existencial não está florido como gostaria. Mas existem ritmos e processos próprios para cada fenômeno da vida, que precisam ser obedecidos, a fim de que não haja colapso do sistema. Assim sendo, aguarde que sua lagarta se converta em borboleta, em cada área de sua existência, cônscio de que, após ter feito sua parte, só resta aguardar, pacientemente, que o período incubação criativa tenha fim, e curtir o jardim, no estágio presente de florescimento em que se encontre. Lutar contra essa realidade é uma rematada estupidez, pelo inglório e, quiçá, contraproducente, senão mesmo perigoso, que surtirá qualquer esforço, no sentido de acelerar o que não pode ser acelerado, assim como a gravidez que, precipitada, não constitui antecipação da alegria, mas providência da tragédia, na morte prematura que o aborto representa de uma vida que poderia ser longa, feliz e produtiva.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
6 de janeiro de 2004

(*) Em meio a um cenário surrealista (para caracterizar o simbolismo didático de que a mentora faria uso) – um jardim de caules de flores que terminavam em crisálidas de diversos tipos e tamanhos – banhada numa suave, mas paradoxalmente intensa luz matinal. Eugênia apareceu, luminosa, sorridente, corada, exalando serenidade e confiança em Deus e na Vida, começando, calmamente, a ditar as palavras desse texto, tocando, aqui e ali, nas místicas “flores de casulos”, como se as examinasse, olhando-me, de quando em vez, maternal e sábia, como a dizer: “Está tudo bem, está tudo sempre bem” – um quê mental muito típico à grande mestra da Espiritualidade Maior.

(Nota do Médium)