
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)
(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, seguindo a linha de conjecturas propostas pelo nosso último diálogo (sobre I.A. e I.E.), aproveito para trazer a lume que o assunto “consciência” parece-me interminável. E você estabeleceu, como critério para uma boa Inteligência Espiritual, o indivíduo ter um diálogo de qualidade com a própria consciência. Que é a consciência e como melhorar nossa relação com ela?
(Espírito Eugênia-Aspásia) – Primeiramente, sofremos aqui o desafio da semântica; nesse caso, em particular: da polissemia ou múltiplos significados do vocábulo. A palavra consciência (e suas correlatas, nos idiomas europeus) é muito subjetiva e possui diversas acepções vernaculares, inclusive ao ser tomada, muito apropriadamente, à conta de sinonímia de “espírito” ou “alma”.
O que aqui, no entanto, denominamos de consciência é o que, em expressão mais popular, se chama de “a voz da consciência”, isto é: o núcleo do ser que constitui uma espécie de repositório de sementes do ser divino que toda criatura humana porta em si, que toda alma é, em última análise.
Podemos considerar, outrossim, que, nesse mesmo sentido, a consciência seria o senso moral do indivíduo, o campo do discernimento ético-espiritual (permita-nos o pleonasmo didático) que distingue uma pessoa dita normal de quem sofre do gravíssimo distúrbio da psicopatia. É exaustivamente sabido que, além de não possuir nenhuma aptidão para a empatia, um psicopata pleno é completamente destituído da intuição de certo e errado, de bem e mal, por isso nunca sentindo culpa, não importando quão gravemente mau tenha sido um comportamento seu, o quanto haja prejudicado um semelhante ou mesmo comunidades inteiras.
Por esse último desdobramento de nossas cogitações, tem-se noção mais adequada da importância do estrato psíquico que entendemos, neste artigo, ser a consciência de alguém. É aquilo que aparta um ser humano da condição dos criminosos mais perigosos. Especificamos os “mais perigosos” porque há muitas pessoas incursas na queda do crime que têm consciência (talvez não tão desperta ou amadurecida) e, por essa razão, não raro, algumas delas sofrem verdadeiras vertigens de culpa pelos males que perpetraram.
Esse cerne da alma serve também de canal para a captação de ideias e sentimentos provenientes de faixas mentais da transpessoalidade, mesmo que numa espécie de vivência (precária ou avançada) de comunhão espiritual que, grosso modo, pode não exibir nenhuma semelhança com comunicações mediúnicas objetivas. Dessarte, afirma-se, com grande acerto, que os Guias Espirituais auxiliam uma pessoa (mesmo não sendo médium ostensiva), pela voz de sua consciência.
Ou seja, não se trata literalmente de uma “voz”, nem mesmo de um fluxo mental discursivo (que se assemelharia a uma voz). A consciência, em vez disso, quase sempre é percebida, pelo buscador genuíno da Luz Divina, como um âmbito de sentimentos profundos de dever, justiça, verdade, autenticidade, bondade, responsabilidade. Quem segue as orientações que ressoam em si, por esse âmago de determinações sagradas do seu próprio gérmen de transcendentalidade, nunca deixará de receber as melhores sugestões ao bom proceder, em quaisquer áreas de sua existência, em toda circunstância de desafio ou provação em que esteja inserido.
(BTA) – Muito obrigado, Eugênia. Todavia, para quem seja iniciante nestas reflexões, essas conceituações podem soar abstratas ou vagas demais. Você poderia oferecer algumas balizas práticas, dentro da temática, a alguém que sinta/pense isso?
(EEA) – Sim.
1) Que crie o hábito de se colocar no lugar de seu irmão em humanidade; ou seja, que desenvolva a contraparte indissociável da consciência: a empatia.
2) Que averigúe qual o chamado de Deus para si, aquela atividade ou modo de agir que o faz melhor ser humano e o torna mais realizado, em paz consigo mesmo, com mais claro e constante sentimento de dever cumprido.
3) Que, na dedicação a essa ocupação ou em outros setores de sua vida, procure ser mais solidário, sensibilizar-se mais com problemas, aspirações, necessidades e sofrimentos do próximo – uma expansão do item 1.
4) Que seja disciplinado numa prática diária de meditação e/ou oração, favorecendo-se uma melhor percepção e conexão com esse centro de espiritualidade em si mesmo.
5) Que, por fim, procure o suporte indispensável de um grupo de apoio, para o fortalecimento de sua ligação com o Divino, dentro ou fora das religiões convencionais, devotando-se a encontros de reforço recíproco à reverência do Sagrado, pelo menos uma vez por semana.
Ademais, terá cada aprendiz da Espiritualidade autêntica que aprender por conta própria; de tal maneira que, com a experiência acumulada, note que aquilo que, num primeiro exame, parecia-lhe difuso ou pouco inteligível, revele-se palpável e prenhe de significado. Mesmo porque, a rigor, essa busca pela melhor sintonia espiritual (ou conexão com a consciência) será compreendida, pelo discípulo do Bem mais maduro, como o propósito da vida, em sua mais pura essência.
(Diálogo mediúnico entabulado em 8 de julho de 2026.)
