
(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, veio-me a intuição de travar com você (e posteriormente publicar) um diálogo sobre I.A. e como ela pode se relacionar com a I.E., a Inteligência Espiritual que esta nossa interação mediúnica representa. Estou certo na escolha temática?
(Espírito Eugênia-Aspásia) – Sim, acertadíssimo. Precisamos refletir muito, coletiva e individualmente, a respeito de tão séria questão. Antecipo, porém, que serei sumária e introdutória, já que o assunto se desdobrará muito, nos próximos anos, de tal maneira que é melhor que deixemos nossas impressões sobre o tema em aberto.
(BTA) – Deseja então escolher o ponto a abordar?
(EEA) – Pois não. Sua ideia de a I.E. estar simbolizada em intercâmbios mediúnicos é interessante; mas não constitui a melhor configuração do que seja a ativação da Inteligência Espiritual, que melhor se resume na relação do indivíduo com sua própria consciência. Consultas e diálogos mediúnicos com instrutores espirituais desencarnados podem servir de ferramentas úteis à galvanização do núcleo de consciência de uma criatura, sem perfazer, propriamente, o cerne da alma de alguém. E, nesse sentido que imprimimos à temática, cabe reforçar que, assim como as I.A.s estão sendo consultadas a respeito de tudo na vida pessoal e profissional das criaturas, de certa maneira integrando seu universo de processamento cognitivo, igualmente se deveria, no mínimo na mesma medida, verificar-se a Fonte visceral de consciência ou a voz do Eu Sagrado, a saber se o sujeito está ou não emparelhado com o que deve ou não fazer, e de que maneira deve fazer ou deixar de fazer alguma coisa.
(BTA) – No mínimo mesmo, não é? Porque percebo que essa consulta ao Centro de Consciência deve se dar, virtualmente, a todo momento, até o ponto de se tornar um condicionamento profundo e contínuo do buscador lúcido da Espiritualidade, ao passo que apelar à assessoria de uma I.A. não precisa nem deveria ser tão frequente, pelo menos por ora. Tenho utilizado, por exemplo, I.A.s como assistentes de revisão de texto, quando um artigo já está pronto, e ainda assim restringindo à mera correção de erros de português, mas jamais para sugerir alterações vocabulares ou estilísticas, muito menos para redigir ou oferecer ideias do que escrever. Apesar desse rigor em circunscrever a ação de uma I.A., amiúde peço a um integrante de minha equipe para apelar, em meu lugar, ao expediente revisor de um modelo de linguagem, em virtude de minha grande resistência moral em apelar para esse recurso, a despeito de reconhecê-lo, de fato, muito eficiente.
(EEA) – Sim. As I.A.s estão sendo utilizadas – como ocorre a toda tecnologia nascente – de modo indiscriminado e, por isso, inexoravelmente tóxico. Todavia, sem aqui esboçar a intenção de tecer qualquer arremedo profético, firmo nosso parecer de que podemos facear o surgimento das I.A.s, no atual nível de sistemas generativos, com muito otimismo. Elas auxiliarão muito, como já o vêm fazendo, em vários campos de organização da vida de cidades ou pessoas, qual ocorre na regulação de trânsito, tornando mais eficiente o tráfego em horários de pico, em regiões de apinhado urbano mais intenso (em vigor, experimentalmente, na China), ou facilitando pesquisas para estudantes sem acesso a melhores recursos de embasamento para seus trabalhos escolares ou universitários.
Somos de convir que as I.A.s maximizarão o potencial da humanidade terrena a encontrar, com mais presteza e eficácia, respostas a enigmas complexos e urgentes, quais os concernentes à crise climática global ou os atinentes à cura de doenças degenerativas cerebrais, numa era de envelhecimento populacional em massa, em quase todos os quadrantes do planeta.
(BTA) – Muito obrigado, Eugênia. Como sua intenção hoje é ser apenas propedêutica, quer tomar a iniciativa de clarear algum outro ponto que julgue mais obscuro, em torno do tópico palpitante?
(EEA) – Sim. Que, como a história revela ter acontecido noutros tempos, como no período do advento da máquina a vapor, o problema está calcado não numa tecnologia nova que espoca, mas no ser humano que a utiliza. A aplicação das I.A.s em frentes de guerra concede-nos uma exemplificação clara do que aqui asseveramos. O avanço do conhecimento, no domínio da energia nuclear, no século passado, que foi aplicado para a construção de artefatos mortíferos de larga escala, oferece-nos uma visão aproximada da seriedade do alerta que aqui fazemos. A preguiça e a refratariedade morais do indivíduo médio do orbe e, por conseguinte, da psique coletiva criaram a atmosfera mental letárgica e perigosa, dentro da qual respiram bilhões de criaturas, que têm fomentado o desenvolvimento da inteligência e a expansão do conhecimento, sem incentivar o correlato, devido e vital despertar do bom senso e da consciência a patamares equivalentes ao do saber tecnocientífico a que essa civilização logrou chegar.
(BTA) – A despeito dessas pinceladas sombrias (e necessárias) que você deu no tema, sei que também crê que vamos vencer, como humanidade planetária, ao desafio ingente desse descompasso intelecto-moral horrível, não é isso?
(EEA) – Sim, e o afirmamos com convicção, por uma razão aparentemente contraditória, menos agradável ou menos otimista, num primeiro exame. É que estamos cientes de que somente por meio da crise de extinção em massa, pelo acicate da iminência de arrasamento apocalíptico da comunidade humana da Terra, será possível uma movimentação de indivíduos e organizações, efetiva e célere o bastante para que se enseje e concretamente ocorra a guinada na mentalidade planetária imprescindível a uma finalização feliz dos atuais severos dramas de sobrevivência que a humanidade terrestre enfrenta.
(Diálogo mediúnico travado em 7 de julho de 2026)
