Se te propões a fazer o melhor, conta com a queda e a limitação.

Há quem só pretenda viver à base da excelência, e, por não aceitar menos que isso, não acumula condições, pela experiência denegada, de chegar a ela, ou, se chega, fá-lo mui episodicamente.

Assim, aceita a tua limitação. Vê o que ocorria na vida dos grandes gênios. Eram homens e mulheres, normalmente, prolíferos, e, em meio a caudalosa produtividade, despontavam obras primas, como pérolas sagradas de seu esforço contínuo. Mas, em meio a todo empenho esfalfante, havia, outrossim, muita canga bruta, necessitando de lapidação.

Não esperes ser um arquiteto constante de obras magistrais: seria pretensioso e estúpido. O perfeccionismo paralisante é traço de mediocridade e não de excepcionalidade. Só confecciona obras imortais quem se acostumou a realizar o comezinho dever de cada dia, com primor, com dedicação, com esmero. Somente quando se atinge a excelência no ordinário, pode-se alcançar a plana do extraordinário.

Destarte, contenta-te em fazer pouco e pequeno, mas faze-o sempre, e Deus, vendo-te o empenho meritório, repletar-te-á com a graça da multiplicação de poder, para que possas, então, fazer melhor, mais além.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eustáquio (Espírito)
13 de novembro de 2003