Quando a “carne”, no carnaval ou em outras festas populares, tem proeminência sobre as funções do espírito, a humanidade declina em seus mais sagrados valores e potenciais, como a criatividade construtiva, a cortesia sincera, a solidariedade universal, a espiritualidade autêntica.
Obviamente que a repressão psicológica jamais constituirá um método adequado de orquestração da complexidade da mente humana. Todavia, entre não reprimir os aspectos instintuais primários da psique e conceder-lhes prevalência sobre os vetores mais nobres da consciência, há um abismo colossal.
Não reconhecer, em tempo e com clareza, tal discrepância basilar consiste num distúrbio que pervaga a cultura permissiva da atualidade e provoca ondas de sofrimento, frustração, viciação e até criminalidade, em medidas imprevisíveis, com repercussões que muitas vezes não se restringem à vida presente da pessoa perturbada, mas se distendem diabolicamente a várias reencarnações e períodos intermissivos, bem como a redes de influência direta ou indireta, alcançando milhares de outras almas desavisadas, no plano físico de existência ou fora dele.
Houve uma atroz repressão da sexualidade no correr dos séculos, sobremaneira durante o obscurantismo medieval, com incalculável acúmulo de sofrimento descabido e amiúde mortífero. Vive-se hoje, em contrapartida, a não menos deplorável, lesiva e letal opressão da transcendentalidade, com a consequente degradação da espécie e a perda de propósito para viver que aflige incontáveis corações desesperançados.
Indivíduos e comunidades da civilização terrena, integrantes dos diversos setores da ação e do saber humanos, quais a arte e a ciência, a mídia e o jornalismo, a filosofia e o humanismo laico, a religião formal e a espiritualidade livre, devem procurar meios efetivos de colaborar com a descoberta de caminhos e alternativas existenciais que privilegiem o equilíbrio das funções corpo-mente, exemplificando-os no comportamento e divulgando-os em massa, quanto possível, a fim de, com sistemática e contínua determinação, educarem as multidões clamorosamente necessitadas de orientação no campo do essencial.
Do contrário, sem espírito de urgência e severa combatividade em favor das Forças do Bem, castelos de ilusão, à guisa de imponentes construções artísticas de areia, tão só de areia, facilmente ruirão, levando em seu bojo, como em larga escala vem ocorrendo em todo o globo, ensejos genuínos de edificação da felicidade, da autorrealização profunda, da transcendência espiritual.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
em Nome de Maria Cristo
25 de fevereiro de 2017




