Reconsidere suas opiniões formadas, a respeito de pessoas e acontecimentos.

O jovem intempestivo e afobado que lhe agride a sensibilidade, com sua agitação constante, é alma de criança a lhe pedir atenção e carinho, carecendo de orientação e apoio, a fim de superar os excessos emocionais, hormonais e psicológicos que lhe toldam a visão mental, para uma perspectiva mais lúcida e isenta das coisas.

A mulher voluntariosa e mesquinha, que se lhe afigura um molde bem acabado de perversidade e egocentrismo, pode não passar de bebê lactente do espírito, precisando da linfa de sua serenidade e de seu equilíbrio, para reencontrar a estrada perdida do próprio centro.

O homem astuto e ambicioso, que o olha de través e supõe adivinhar, em você, intenções pérfidas, na verdade pede, com um grito da alma, exercício de piedade cristã e humildade, a fim de sair da esfera estreita de interesses vis que o motivam e o aprisionam, e, com o tempo, ter a prova, em seu exemplo de serviço ao próximo, de que é possível haver idealismo e solidariedade genuínos.

Não se apresse, prezado amigo, em chegar a conclusões sobre pessoas e ocorrências. Quase sempre, conclusões velozes são apriorísticas e, com isso, no seu automatismo irracional e eivado de preconceitos, apenas remontam a fórmulas antigas de leitura da vida, fazendo a equivocada aplicação de velhos esquemas a realidades novas, distorcendo-lhes, assim, os significados reais.

Você não está propriamente errado, em se aborrecer com a estultícia, o primarismo e o egoísmo cínico de muitos. Apenas não está acertando o bastante, principalmente para consigo mesmo, já que sofre inutilmente, tendo em vista que eles não deixarão de ser primitivos e insensíveis, apenas porque você está contrariado, e, dessa forma, só consegue se castigar, em cima das feridas que eles já lhe fizeram, involuntariamente, pelo simples fato de não estarem no seu nível de compreensão do mundo.

Assim, não são os outros que têm que ser melhores: você não tem controle sobre o comportamento e as escolhas das outras pessoas. Você é quem tem que se tornar melhor do que o que é, para que possa ser premiado, efetivamente, por estar à frente, pelo senso de invulnerabilidade dos seres serenos, ou, ao menos, a fim de que pare de ser punido por ser mais maduro, punido por você mesmo, por se sentir vítima, pelo fato de eles serem o que são e você ser o que é: uma realidade, e, como tal, que deve ser aceita e entendida.

Aceite a realidade como ela é. Não lute contra o inexorável. Relaxe e viva em paz. Sendo responsável, lutando pelos seus ideais, sendo até enérgico, na defesa do que julga essencial, mas sem se exasperar ou se despedaçar de dor, por perceber que o mundo não corresponde às suas expectativas. Se parar friamente para analisar tal postura íntima, notará que não deixa ela de revelar boa dose de capricho narcísico, egoísmo pueril e, por fim, tirania camuflada de bom ideal. Aplique, destarte, mais profunda e intensivamente, os próprios valores, que tão severamente cobra dos outros, e se sentirá mais tranquilo, ao menos no que tange a se irritar e se revoltar com a “inferioridade” alheia.

Sim, meu amigo. O seu mal é ser mediano. Se quer sofrer menos, como não adianta decidir voltar ao marnel da normalidade (porque a evolução nunca é revertida), terá que dar um salto maior à frente. Se fizer isso, em lugar de enxergar animais ferozes ou monstros diabólicos, em torno de si, verá crianças mimadas e bichinhos primitivos a lhe pedirem compreensão e condução.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Gustavo Henrique (Espírito)
14 de setembro de 2003