
Benjamin Teixeira de Aguiar
Responde à Equipe da Sociedade Maria Cristo
(Equipe da Sociedade Maria Cristo) – Benjamin, você está para completar, em outubro, 56 anos. Nossa equipe foi notificada de que poderia entrevistá-lo novamente, a respeito do atual período de suas atividades. Que reflexões você faz sobre ele e quais delas pode partilhar conosco?
(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Ponderações controversas. Vou filtrar e revelar o que avaliar como publicável, sob inspiração de nossos Mestres Espirituais.
Em profunda experiência místico-mediúnica, no início de 2013, fui avisado, de modo muito solene, pela Orientadora Espiritual Eugênia-Aspásia, que passaria por agruras significativas nos anos seguintes e que sofreria desafios na continuidade das tarefas planejadas para a atual reencarnação que me foi concedida por Mercê Divina.
Logo após completar meus 48 anos, a crise espocou, em sua plenitude. Informaram-me outros Amigos Espirituais, então, que ou eu ou uma companheira de trabalho na Instituição receberia o prêmio da libertação do corpo físico. Sugeriram que permanecesse vigilante, que orasse com mais fervor, que meditasse com critério, que fizesse o que pudesse para me alinhar, continuamente, com a Vontade Divina. A queridíssima irmã em Ideal foi a escolhida, a professora doutora Rosilene Moretti, figura emblemática na condução de estudos científicos, nos documentários que foram produzidos em torno dos fenômenos mediúnicos e espirituais que acontecem por mim e em torno de mim.
A saudade do “Outro Lado”, entretanto, continuou comigo, muito forte, abalando-me o ânimo. Como expediente experimental para que me fosse renovada a “joie de vivre” (alegria de viver), os Instrutores do Domínio Maior de Vida transferiram-me de residência para os Estados Unidos, “sem aviso prévio”. Cheguei por lá, no princípio de 2020, para proferir conferência na edição daquele ano da CSW da ONU (a organização que presido é órgão consultivo do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, desde 2018), exatamente no dia em que a OMS declarou oficialmente o início da pandemia de Covid-19.
E, por lá ficamos… e fomos estendendo a estada… até que adquirimos residência no estado de Nova York, chegando a supor que não retornaríamos mais ao Brasil. As Autoridades Espirituais com quem mediunicamente dialogava, sem fechar concretamente conclusão sobre o tema, revelavam-me, desde março de 2020, que havia uma programação hipotética de expandir os serviços de nossa Causa, a partir da “Nova Roma” — como Eugênia-Aspásia alcunhou Nova York. Considerei que o alvitre fosse uma convocação. E, presumindo que havia dito um “sim” a uma propugnação do Mundo Maior, dei o assunto por encerrado.
(ESMC) – E o que fez com que você retornasse ao Brasil?
(BTA) – Fatores complexos, variáveis inúmeras, algumas sigilosas, mas posso resumir no coroamento, digamos assim, de nossa fase no hemisfério Norte, como um extremo cansaço do idioma, ao qual sempre tive fortes resistências emocionais (desde a adolescência era extremamente avesso ao estudo do inglês) e da própria cultura norte-americana, a despeito da enorme gratidão que tenho pela pátria de Lincoln e pelos amigos que lá me receberam de coração aberto, por poder vivenciar um ciclo de aprendizados importantes no país irmão do Brasil. A outra face da questão enfeixa-se na saudade cortante do calor humano dos irmãos do Espírito que deixei em Sergipe. Voltar ao rincão natal tornou-se vital para mim, tanto que retornamos antes mesmo de completarmos quatro anos de imigração provisória, em dezembro de 2023.
(ESMC) – E então tudo se regularizou, ao voltar a Aracaju?
(BTA) – Paulatinamente. Diversos ajustes foram diligenciados na estrutura e funcionalidade da instituição, acontecendo, outrossim, refinamentos em meus métodos de trabalho com os Espíritos Amigos. Todavia, após minha ida a Genebra, para proferir uma conferência na principal sede da ONU na Europa, com uma geminada peregrinação em grupo por santuários franceses de Nossa Senhora Maria Cristo, entre setembro e outubro do ano passado, percebi, novamente, uma forte virada de página. Mudanças para melhor se intensificaram, por toda parte, em nosso colegiado de almas irmãs. Para minha surpresa, entretanto, não conseguia me alegrar muito. De modo paradoxal ao que ocorria de bom, externamente a mim, uma apatia profunda me tomou e ficou comigo, por meses. Gradativamente, porém, notei providências sendo orquestradas pelos Bons Espíritos para me “prender” (risos sem graça) ao domínio físico de vida.
(ESMC) – Você pode explicar isso?
(BTA) – Conviver continuamente com a Espiritualidade Sublime e vivenciar, em contrapartida, o contraste com a vibração média dos cidadãos reencarnados na Terra pode ser bastante doloroso e, no correr do tempo, exaustivo, duma maneira difícil de colocar em palavras. Perto de um ponto de saturação, comecei, mais uma vez, a temer pela continuidade de minha existência física, receoso de que meu corpo somatizasse meu desgosto de estar “do Lado de cá”.
A década de 2020 foi toda assim, o que foi acentuado com o isolamento compulsório que a pandemia fomentou. Ironicamente, foi quando me tranquilizei com o andamento das atividades da Casa, em complemento a notar a evolução de pessoas próximas a mim, como meu esposo Wagner, aproximando-se dos 40 anos (homem feito, que não precisaria mais de mim), que o perigo de “solicitar o retorno” tornou a me rondar a mente.
Quero deixar bem claro que nunca se tratou de um planejamento consciente e racional de ansiar pela vida depois da libertação do preciosíssimo presente divino do corpo físico. Eu simplesmente me flagrava, com frequência, abatido com os acontecimentos do universo humano dos encarnados, a reboque da ideia de julgar que já tinha cumprido meus deveres, na atual existência, com quase 4 décadas de atividades mediúnicas ininterruptas, sob supervisão do Espírito Eugênia-Aspásia (iniciadas em 1988), a maior parte desse tempo em escala pública (desde 1990).
(ESMC) – E essa crise está se resolvendo? E, se sim, de que modo?
(BTA) – Sim. Primeiramente, vejo uma solução geral se configurando por interferência amorosa dos próprios Guias Espirituais, em Nome de Deus. Um deles é o grande amigo Gustavo Henrique, o ex-sacerdote católico desencarnado com quem trabalho desde que lancei o programa de TV, em 1994. O “padre Gustavo”, como às vezes carinhosamente o chamamos em nossa agremiação de confrades, é dos que mais me lembram de minha liberdade de continuar encarnado ou pedir o retorno à Pátria Espiritual.
Explico-me: alguns de nós, porta-vozes da Espiritualidade do Bem, recebemos da Divina Providência essa concessão especial, em virtude da enorme dificuldade e inextricável complexidade das responsabilidades que nos foram cometidas.
Pois bem, Gustavo Henrique tem-me auxiliado, amiúde acolhendo, terapeuticamente, meus conflitos e desgostos, a manter firme a decisão de continuar por aqui, informando-me que, na condição de “médium em tempo de guerra”, cada dia que me mantenha na superfície do planeta — o “mundo” do caos e do mal —, constitui uma vitória.
O convívio psíquico com os Amigos Espirituais configura o mais abençoado e resolutivo estímulo a prosseguir. Sei que soa contraditório porque, como disse há pouco, o contraste da vibração deles com a da dimensão material é drástico. Contudo, Eles nos ajudam a suportar o fardo, com um mínimo de galhardia e decência, facilitando-nos carregar a própria Cruz, como nos propôs Nosso Mestre e Senhor Jesus.
Em segundo plano, também compreendo que a dissolução desse mal-estar profundo e crônico se efetiva por uma série de aproximações de novos amigos, verdadeiras graças do Céu, que me têm dado suporte especial, nesta época da minha segunda metade da casa de 50 anos, muitos portando idade, folgadamente, de serem meus filhos. Um deles, quase vinte anos mais novo do que Wagner, por exemplo, recentemente me procurou, ao final de um jantar de confraternização, em família espiritual, com “olhinhos miúdos” de preocupação, perguntando-me se eu havia melhorado de um certo quadro clínico mais melindroso que havia atravessado; e, quando respondi à sua questão, tranquilizando-o, bateu-me um aperto no peito. Algo como um “sino intuitivo” acionou-se dentro de mim, como se dissesse a mim mesmo: Jesus, alguns desses jovens integrantes do Núcleo Interno da instituição (que têm acesso a duas palestras semanais exclusivas, além das públicas, de domingos) têm quase 40 anos a menos do que eu, acabaram de atravessar a barreira da maioridade, e, todavia, minha consciência me diz que sou responsável por eles. Chamo-os de “netinhos”, ainda que alguns deles não pudessem ser netos, por serem “apenas” de 20 a 25 anos mais novos que eu (risos).
O fato é que, se me sinto “desincumbido” de dar cobertura aos mais velhos, como meu amigo-irmão Delano Mothé, que é da minha geração, e aos da geração seguinte, a do próprio Wagner (18 anos mais novo que eu), como afirmei acima, não me sinto “liberado”, pelo coração, de deixar “desamparados” os mais novos…
É estranho, porque uma voz mais lógica dentro de mim diz, peremptória, que eles são todos “bem crescidos” e que todo mundo dá um jeito de se virar na ausência de qualquer pessoa, que ninguém é indispensável etc. No entanto, no sacrário do meu coração, outra voz, mais serena e persuasiva, a da consciência, sentinela do dever a cumprir, segreda-me que ainda tenho compromissos a desdobrar, no trato com os que pertencem às novas gerações, atualmente sendo remetido, em particular, a pensar nos nascidos entre 1985 e 2007. Diz-me ainda a voz que ecoa no eixo de meu ser que, se puder, tenho que ainda dar assistência a outros alunos, que ainda não conheço, que sequer adentraram a maioridade (sinto-me professor de adultos).
(ESMC) – Que maravilha! Então o teremos por muito tempo ainda conosco!
(BTA) – De modo algum algo está certo, nesse sentido: nem poderia estar. Estarmos ou não matriculados no educandário do plano físico, durante a vida de um corpo material, é algo que compete apenas aos Prepostos do Poder Divino.
Espero merecer continuar vinculado ao meu atual aparelho biológico, pela maior extensão de tempo possível, com mínima saúde (que viabilize minha funcionalidade geral), com o máximo de lucidez e de sintonia com o bem, para que acerte mais e erre menos, no setor de serviço ao bem comum a que me dedico.
É importante levar em conta, nesse quesito de longevidade, que, no momento, aproximo-me da terceira idade. Em quatro anos, se Deus permitir, atravessarei oficialmente a barreira etária do início da minha ancianidade. Em adição, tive uma existência muito intensa (e desgastante), exposto à multidão, década sobre década, diante de câmeras de TV, desempenhando um papel extremamente complicado, perseguido por inimigos gratuitos, observado com suspeita, de perto, por agentes hostis da retaguarda, encarnados ou desencarnados, com interesses contrários aos do Discurso de que sou porta-voz, de combate a todos os preconceitos, de tradução, para o primeiro século do Terceiro Milênio, do Pensamento do Cristo-Verbo Jesus, de defesa da existência de uma Mãe Crística de nossa comunidade humana planetária. Com isso, reconheço que minha saúde não é muito boa, sentindo, por vezes, infelizmente, que meu veículo orgânico não tem vigor suficiente para prosseguir vivo por muito tempo…
Fio-me, porém, na Bondade de Deus e na convicção de que, numa era de tanto cinismo e desorientação, no âmbito cultural e político, de desespero e pânico com a questão climática, dos horrores de novas guerras que eclodem e escalam, do colapso do mercado de trabalho com a chegada das IAs, de fundamentalismo religioso e de ateísmo angustiado, as vozes da sensatez e do cristianismo autêntico precisam ser propagadas, ininterrupta e largamente, sobremaneira se essas vozes são as dos Guias da humanidade terrena — de Quem desfruto a honra misericordiosa de ser canal —, que querem nos socorrer, esclarecer, consolar e conduzir.
Que a Divina Bondade aja, por misericórdia, em meu favor, tão pecador e limitado que sou, para que faça minha parte, o mais integralmente possível, neste contexto histórico de perigo iminente de extinção da presença humana sobre o planeta, a fim de que, como acredito viável, seja revertido o apocalipse de nossa civilização. É evidente que se trata de um esforço de todos nós, cada um fazendo sua parcela do ciclópico mister, nos departamentos profissional, social e espiritual em que se encontre.
Por fim, coloco-me nas orações dos corações de boa vontade, que peçam à Mãe e ao Pai Maiores que Se apiedem de minha alma, para que leve a contento, minimamente, o ministério de “sacerdócio mediúnico” de que fui investido, nesta reencarnação, diante da Espiritualidade Superior, de um Lado, e, de outro, de quem se digne, na Terra, a ouvir, com o respeito devido, a Fala de Eugênia-Aspásia e Seus Amigos que propalo e que é confirmada, miraculosamente, por uma sequência impressionante de Endossos Divinos (*).
(Entrevista concedida em 15 de agosto de 2026.)
(*) Saiba mais, acessando Endossos Divinos
