Capítulo 1

Maria Cristo — a Era da Feminilidade Sagrada e da Mãe Crística planetária

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)

(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, hoje celebramos 20 anos da recepção da primeira Carta que Maria Cristo enviou ao domínio físico de vida, com sua intermediação. Também neste mês celebramos os 21 anos da publicação, com sua coautoria espiritual, da Tese “Maria Cristo”, em livro homônimo. Você poderia dizer alguma coisa sobre essas duas importantes efemérides de nossa Casa-Causa?

(Espírito Eugênia-Aspásia) – Sim. Muito apropriado que tornemos a refletir sobre a tão relevante temática, nesta era de desmantelamento de dogmatismos tenebrosos, que escravizam consciências à era das aberrações da religião utilizada como ferramenta ou veículo de opressão e manipulação de indivíduos e coletividades.

Quando a autoridade máxima da maior religião cristã vem a público para questionar a posição de Maria Santíssima como corredentora da humanidade e ratifica, solenemente, à guisa de assunto indiscutível, a proibição à ordenação de mulheres, fica dramaticamente evidenciado o quanto o patriarcalismo sufoca a Realidade Espiritual, de uma maneira alarmantemente grave.

Quando centenas de milhões de meninas vêm ao mundo e se desenvolvem numa mentalidade que normaliza a impossibilidade de mulheres oficiarem o culto religioso padrão, a missa, na maior e mais influente religião cristã, há uma forte mensagem subliminar, com impacto difícil de ser mensurado, no sentido de arrasar o princípio de equidade entre os gêneros.

Não se pode defender plenamente a noção de equidade entre os sexos, enquanto, no nível crístico, postula-se a existência apenas de figuras masculinas ou, fazendo uso de uma linguagem mais clássica da teologia cristã, no mesmo passo em que se propugna haver tão só vultos masculinos na “Santíssima Trindade”: Pai, Filho e Espírito Santo.

Uma criança de tenra idade, não fosse contaminada por intoxicações culturais, acontecendo de ser arguída sobre quem estaria entre as pessoas de um pai e um filho, diria, sem hesitar, tratar-se da mãe. Essa exemplificação hipotética oferece um vislumbre de quão grotesca é a fixação das autoridades eclesiásticas no rebaixamento moral de mulheres e meninas, sistematicamente, a cada vez que uma missa é celebrada, em qualquer parte do globo onde residam cada um dos 1,4 bilhões de católicos.

Constitui uma abominação sem tamanho negar-se distinção moral às mulheres, a ponto de se degradar, outrossim, a suma essência da feminilidade: a maternidade. É uma ofensa inqualificável à Divindade, que jamais aprovaria esse aviltamento da condição humana, além de, é lógico, ser portadora de todas as virtudes e perfeições, inclusive as que são culturalmente mais associadas às mulheres, às mães. Afirmar algo em contrário perfaz uma ofensa “sem perdão”, no sentido de diminuir Deus que, Absoluto, não porta nenhuma espécie de limitação.

É por serem, na igreja católica, consideradas moralmente incapazes ou espiritualmente inferiores aos homens, que mulheres não podem ser sacerdotisas e, destarte, estejam impedidas de ministrar missas, diferentemente do que ocorre, há um bom tempo, na igreja anglicana, que atualmente autoriza a existência de bispas e, mais recentemente, chegou a ostentar uma mulher como sua máxima autoridade.

Não à toa, as perversões têm carcomido a decência de sacerdotes católicos, de integrantes de toda a hierarquia eclesiástica, desde os crimes hediondos registrados na Antiguidade e na Idade Média até as degradações sexuais da atualidade.

Há uma Mãe Crística planetária. Não só Jesus é um ser crístico. Maria de Nazaré, Sua Mãe, também o é. Negar isso será visto, no futuro, como uma blasfêmia do nosso tempo. Um sacrilégio, é bem verdade, que tem sido cometido por dois mil anos; mas que, nos dias correntes, tem tons mais abjetos de profanação do Sagrado, em função do contexto de época, do cenário da mentalidade vigente, democrática e inclusiva, nos países mais desenvolvidos, política e socialmente.

Entre povos mais civilizados, há uma convicção guindada à altura de axioma, em torno da igualdade entre homens e mulheres. Afigura-se assunto pacífico, para qualquer pessoa minimamente esclarecida, hoje, que as mulheres possuem direitos idênticos aos dos homens, que são portadoras de dignidade humana do mesmo valor que seus pares do gênero masculino.

(BTA) – E há solução para essa cristalização arquimilenar?

(EEA) – Sim. Além da opinião pública mundial que, progressivamente, pressionará a cúpula da igreja a corrigir esse seu sério e capital pecado, os tribunais das nações mais avançadas, cedo ou tarde, começarão a exigir que a igreja católica faça a ordenação de mulheres, sob pena de ser proibida de atuar em seu território.

(BTA) – Surpreendente.

(EEA) – Diria inevitável. Será considerado ultrajante esse preconceito atávico e odioso contra mulheres e meninas, século sobre século. E, assim como as “indulgências” vendidas ou a perseguição, tortura e morte praticadas pela “santa” inquisição, ou os massacres de homens, mulheres e crianças sarracenos, levados a cabo por “monges” guerreiros, nas “santas” cruzadas, na Idade Média, também esse ódio medonho e diabólico contra a feminilidade, ainda em vigor, desaparecerá inexoravelmente e será observado como mais um capítulo inapagável de vergonha e horror do passado da igreja, compreendido à conta de uma das mais sérias e históricas contradições católicas, em relação ao Pensamento de Nosso Mestre e Senhor Jesus: de igualdade e fraternidade entre todas as pessoas e não apenas entre homens.

(Diálogo mediúnico travado em 11 de julho de 2026)