Estás em condição de mediocridade?
Não te ofendas. Medíocre, embora seja termo com acepção pejorativa, utilizado, pela atual cultura vaidosa de competição exacerbada, para depreciares não-excepcionais, tem conotação, outrossim, de mediano, o que é intermediário, o que está na média. Assim, se estás no ponto de equilíbrio entre as escalas evolutivas diversas, presentes em teu mundo, melhor para ti: sofrerás menos. Quem é marginal, para cima ou para baixo da média, sofre a pressão da maioria, e, assim, vive em constante conflito, entre sua natureza e os vetores de influência que vêm de fora.

Não caias na doutrinação nefanda, mentirosa, de te sentires inferior, indigno e insignificante, por seres mediano. O caminho do meio, rezam todas as tradições do bom senso e da espiritualidade, é sempre o melhor caminho para a verdade. Todo extremismo, ainda que para melhor, indica desajuste, desequilíbrio (tecnicamente falando), mesmo que seja o desajuste dos gênios ou santos incompreendidos. Se tu és normal – (o vocábulo é oriundo do verbete latino: “norma”, que significa “comum”) – melhor para ti: serás mais feliz, pois padecerás menos confrontos com as forças de teu ambiente sociocultural.

Se te sentes triste, por não estares entre os melhores ou não seres o melhor em determinada área de ação ou modo de ser, não só estás agindo em função dos caprichos infantis do ego, como estás sendo pouco inteligente, pois que agindo contra os interesses de tua felicidade: seja por não aceitares ser quem és, seja por pretenderes – e quem sabe conseguires – tornares-te melhor, apenas para pagares o pesado tributo da superioridade: solidão, inveja e toda forma de ataque despropositado.

Talvez chores por não ser ou não viver a condição que só te traria infortúnio. É bem provável, amigo, que já sejas feliz, e apenas não te tenhas dado conta de quanto!

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eustáquio (Espírito)
07 de dezembro de 2003