
Capítulo 3
Maria Cristo — a Era da Feminilidade Sagrada e da Mãe Crística planetária
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)
(BTA) – Eugênia, o que você deseja tangenciar hoje, a respeito do tema desta obra?
(EEA) – O episódio da aparente negação do valor de Maria, como Ser Crístico, em que Jesus A desatende, bem como a José, Seu “pai adotivo”, no episódio em que, aos 12 anos, ficou “para trás”, em Jerusalém, após saírem, em caravana, de retorno ao lar, na anual Festa da Páscoa. Partindo em Sua procura, refazendo o caminho, em direção à Cidade Santa, encontraram-n’O cercado de “doutores” da Lei (mosaica), impressionando-os com Suas perguntas e respostas.
(BTA) – Intriga-me sempre a ocorrência. Principalmente porque Jesus, arguido por Maria, quanto à razão de haver ficado em Jerusalém, claramente sem avisá-los, já que Ela e José haviam ficado preocupados, ouve de Jesus, de modo professoral, como se Ele estivesse mais cônscio do que Ela, quanto ao que ocorria, que viera ao mundo para cuidar da Vontade do Pai, aludindo a Iavé ou Gabriel Cristo, como preferimos entender, representando a Face Paternal de Deus.
(EEA) – O enigma começa a se dissolver, todavia, quando se observa que, logo adiante, nas Anotações do Evangelista(1), é registrado que Jesus, depois do acontecimento, fez-Se submisso a Maria e José. Dessarte, os próprios Apontamentos do Evangelho deixam entrever que Jesus reconheceu que errara em não haver recebido autorização de Maria, para Se ocupar do que O detivera em Jerusalém, ainda que Sua intenção fosse, em Suas Próprias Palavras, atender à Vontade de Deus-Pai.
É bem verdade que, neste curioso relato de Lucas, é dito que Eles (Maria e José) não O haviam compreendido — afirmação que facilmente pode ser interpretada da perspectiva histórica do inspirado redator. Afinal, trata-se de texto escrito sob a égide de um tal paradigma patriarcal que é de causar espécie como tenha a Revelação Divina contornado os arraigados preconceitos da época, e chegado até nós. Isso é válido para todos os trechos a que remetermos os leitores, neste livro, tanto do Novo como do Antigo Testamento.
Cabe apontar que a permissão provinha de Maria apenas (só Ela era outro Ser Crístico), o que é sinalizado pelo silêncio de José, atitude por este preservada em todos os escritos dos quatro evangelistas canônicos, o que acabou por favorecer que se lhe atribuísse, em certas tradições cristãs, a alcunha de “santo do silêncio” — o que complementaríamos com a de santo da profunda obediência ao Sagrado.
Desta passagem da Vida de Jesus salta-se uma expressiva quantidade de anos de Sua biografia, provavelmente três décadas, porquanto, em respeito a conjecturas de eruditos encarnados no assunto, o Cristo-Verbo provavelmente teria em torno de 40 anos quando deu início à Sua Vida Pública.
(BTA) – Isso parece conferir especial importância de significado ao momento…
(EEA) – Reforçado pelo que é descrito, sobre os primeiros instantes do messianato do Cristo-Irmão(2), que Jesus só realizaria Seu primeiro milagre por ordem d’Ela, sobre o que já discorremos no capítulo 2 desta obra.
(BTA) – Sim…
(EEA) – Pretendemos agora esclarecer outra passagem dos Evangelhos. Aquela em que Jesus, procurado por Maria e Seus “irmãos”, responde, de maneira severa, provocando estranheza até hoje, entre devotos que mergulhem no estudo de Seu Pensamento.
— Quem é minha Mãe e quem são Meus “irmãos”?
E completa que Seus genuínos familiares eram os que cumpriam a Vontade de Deus, que estavam em torno d’Ele, ouvindo-O. E, simplesmente, não atende à solicitação de uma interação à parte com os familiares biológicos(3).
Primeiro ponto, entendemos que o Cristo-Voz-da-Verdade fez um dos maiores elogios a Maria, como Aquela que, por excelência, cumpria a Vontade Divina, tanto que, ao dizer “sim” ao Arcanjo Gabriel, fez-Se grávida d’Ele.
Segundo, como outros autores o têm dito, mas que consideramos correto aqui reforçar, esses “irmãos” seriam primos e não propriamente irmãos de Jesus. Em virtude da enorme pobreza do aramaico, o idioma utilizado pela maior parte dos personagens dos Evangelhos, em que havia um único vocábulo para as duas acepções (primos e irmãos). Seriam, portanto, sobrinhos de Maria e não filhos. Por outro lado, para quem quiser controverter e dizer que Maria poderia ter tido, sim, outros filhos, o que não consideramos um problema moral, cabe informar que a palavra em grego antigo, a língua em que se encontram os manuscritos mais confiáveis dos Evangelhos, utilizada nesta passagem, era aquela que informava ser alguém “irmão que não é irmão pelo útero”, porque existia um outro vocábulo para especificar exatamente um indivíduo ser “irmão pelo útero” ou seja, irmão por parte de mãe(4).
Terceiro, e aqui apelamos para nossa função de reveladora espiritual, Maria estava, na ocasião, fazendo as vezes de conciliadora de conflitos familiares, atendendo a pedido de integrantes da parentela consanguínea de seguir com eles, em busca de Jesus, justamente por saberem que Ele Lhe dava ouvidos. Ela, entrementes, estava cônscia, de antemão, como é evidente, que Seu Filho reagiria daquele modo, legando uma mensagem importante para a posteridade cristã, em torno do tema crítico de ser devido priorizar-se a vocação e voz da consciência, em relação a conveniências mundanas e convenções sociais.
(BTA) – Eugênia, a propósito de você se colocar em posição de reveladora, poderia solicitar um esclarecimento um tanto polêmico? Você nos confirmou a opinião de que José seria pai adotivo de Jesus. Ele, então, seria Filho de Gabriel, que fertilizou Maria, quando da Sua famigerada Visita a Ela, apesar de esse Pai Maior não estar em corpo material. Como essa gravidez aconteceu?
(EEA) – Embora não possamos entrar em minúcias sobre o delicadíssimo assunto, lembramos que existem, há já um bom tempo, no domínio material do orbe, por mercê de importantes avanços tecnocientíficos, na ciência médica da reprodução humana, meios de uma mulher engravidar, sem intercurso sexual com indivíduo do gênero oposto. O gameta masculino pode ser doado por um homem que conviva com a mulher fertilizada, em regime matrimonial, ou por um completo desconhecido, que se tenha voluntariado a esse serviço, por meio de um banco de sêmen.
Podem ser consideradas válidas as teorias da concepção de Jesus sem “coito animal”, como a gnóstica e a ufológica. Mas não desejaríamos nem descrevê-las, nem denegá-las, muito menos ratificá-las. Apenas corroboramos que o Cristo-Jesus nasceu, sim, de uma Mãe Crística — que havia Se encapsulado em organismo biológico, no primeiro século anterior ao ano 1 de nosso calendário — e de um Pai Espiritual coletivo que não Se encontrava, na época, vivendo fisicamente na superfície do planeta.
(Diálogo mediúnico travado em 26 de julho de 2026.)
Notas do médium:
(1) Lucas, 2:41-52.
(3) Mateus, 12:48 e Marcos, 3:33.
(4) “Adelphoi”: primos ou parentes próximos. “Adelphós”: irmão uterino. Creio que ainda caiba apresentar um argumento adicional. O de poderem aqueles sujeitos serem filhos de um primeiro casamento de José, como é apresentado por um dos Evangelhos apócrifos. Então, seriam “adelphoi”, na acepção de meios-irmãos por parte de pai, apesar de compreendermos que, para Jesus, José seria pai “apenas” adotivo.
Nota da Autora Espiritual:
(2) Jesus sempre fez questão de Se apresentar como Irmão de todos. Chamou a Deus de Pai, na Oração Dominical. Orientou que ninguém Lhe atribuísse sequer bondade, porque “bom só Deus o é”. Apresentava-Se, no máximo, como Mestre, porque O era, o Ser mais velho que, como Cristo, viera educar a humanidade daquela e de todas as gerações futuras — com espíritos reencarnando, desencarnando e tornando a reencarnar, para Lhe estudarem as Palavras, em séculos sucessivos, em diversas denominações cristãs.
