
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
em diálogo com Eugênia-Aspásia (Espírito)
(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Eugênia, fui intuído a consultá-la sobre o tema da “liberdade de pensamento”, no dia da “Queda da Bastilha”. Você gostaria de nos dizer algo a respeito?
(Espírito Eugênia-Aspásia) – Sim. Que vivemos uma época perigosa de polarização de opiniões e de deslizes sérios na sintonia com a faixa mental do bem… com o risco agravado de as pessoas se fazerem joguetes de agentes do mal. Para completar, lamentavelmente, muitos supõem, influenciados por perigosos sofismas de gênios das trevas, inimigos da humanidade, que devemos contemporizar com a discordância a respeito de tópicos essenciais, como os direitos civis e o avanço dos costumes, no sentido de estenderem-se o respeito e a dignidade de existir a grupos minorizados e pessoas socialmente vulneráveis, vítimas arquimilenares da sanha assassina de frações da população que se entregam a justificativas diabólicas para seu discurso e suas atitudes de ódio, algumas de teor religioso, lembrando os horrores perpetrados pela religião em séculos passados.
Devemos nos recordar de que a Ku Klux Klan é uma linha protestante de extrema-direita, de que mulheres sofrem diminuição sistemática de seu valor e sofrem muito mais violência doméstica nos ambientes ditos religiosos e de que crianças e adolescentes LGBTs são induzidos ao desespero e ao suicídio nesses mesmos seios sociais moralistas e conservadores. Em suma, atualmente, supremacistas brancos, misóginos e LGBTfóbicos costumam buscar lastros bíblicos para seus pareceres abomináveis, tornando-se eles mesmos abomináveis diante de Deus.
Jesus Cristo, que esses asseclas do mal dizem seguir, foi um defensor ardoroso de párias sociais, como meretrizes, adúlteras e ladrões qualificados como traidores da pátria: os cobradores de impostos em nome do império invasor de Israel, o Romano. O Mestre dos mestres enfrentava, com ardor, as elites estabelecidas de Seu tempo e cultura, que eram, com impressionante semelhança ao que ocorre atualmente, seguidores ciosos da Bíblia da época, o Antigo Testamento. Os Evangelhos clássicos apresentam Jesus invariavelmente severo com essa escória moral humana, denunciando-a como hipócrita, inúmeras vezes.
Jesus propugnava tudo contra o que se opõem muitos dos que falsamente se apresentam como Seus discípulos. Cinicamente, esses pretensos cristãos ignoram que o Cristo-Verbo era alguém que defendia todas as plataformas de ideias relacionadas à inclusão social, ao perdão, à fraternidade universal. Esses extremistas de direita abertamente postulam o contrário, de modo vergonhoso e blasfemo fazendo uso do Seu Sagrado Nome.
Cabe aqui lembrar que o próprio Cristo nos alertou que haveria “falsos cristos e falsos profetas”. Como Ele também nos lecionou, com Seu natural domínio sobre o funcionamento da psique humana, identificaríamos esses falsários perigosos, observando-os em suas palavras e suas obras.
(BTA) – É impressionante essa face do problema a que você conferiu destaque, Eugênia. É quase como se alguém pretendesse ser justo, na Alemanha nazista, defender nazistas, com o argumento de que todos teriam direito de professar suas ideias e de que não deveríamos cindir as famílias ou os grupos de amigos, por questões políticas e ideológicas…
(EEA) – Pois bem, entra aí o elemento filosoficamente elegante e válido do paradoxo da tolerância, porque não se pode tolerar a intolerância. Quem se apassiva ou silencia diante do crime, seja por covardia, indiferença ou motivos inconfessáveis, é conivente com ele, faz-se cúmplice do mal perpetrado, alimenta-o, une-se às hostes do inferno sobre a Terra.
Há circunstâncias históricas em que a definição de lado não deixa espaço a dúvidas, se alguém é pautado pelos ditames da própria consciência, se o indivíduo respeita os princípios universais de justiça, equidade e solidariedade entre os seres humanos.
Na crise civilizatória grave que atravessamos, com o perigo de extinção da espécie humana, por vários possíveis caminhos apocalípticos, desde o climático ao bélico nuclear, passando pelo potencial uso indevido da I.A. e pelo colapso do sistema financeiro global, não se pode negligenciar nem procrastinar uma tomada correta e firme de ângulo de observação e ação que seja favorável ao bem comum, sob pena de cair vítima das estratégias mefistofélicas dos gênios demoníacos que pugnam por destruir as chances de sobrevivência desta humanidade terrena.
(Diálogo mediúnico entabulado em 14 de julho de 2026)
