No dia 7 de abril, Benjamin completou 38 anos de atividade mediúnica. Nesta entrevista concedida à equipe da Sociedade Maria Cristo, nosso orientador espiritual discorre sobre o assunto (1).

(Equipe da SMC) – Benjamin, Eugênia-Aspásia solicitou fossem celebrados os 38 anos de seu trabalho mediúnico com Ela e outros Espíritos, completados no último mês de abril. Como não se trata de uma data “redonda”, quando se fecha uma década – os 40, por exemplo –, a Orientadora Espiritual lhe disse o motivo?

(Benjamin Teixeira de Aguiar) – Primeiramente, não está certo se completarei 40 anos de atividade como porta-voz do Conjunto de Mestres(as) Espirituais do qual Eugênia-Aspásia é representante. Nunca sabemos por quanto tempo estaremos encarnados. E, sim, conheço a razão principal: o preito de gratidão pela bênção de estarmos a serviço do bem comum. A Mestra Espiritual se reportou à recomendação de Nosso Senhor Jesus de estarmos atentos ao cuidado de cada dia, e parafraseou-O dizendo que mais ainda deveríamos vivenciar e comemorar um ano por vez.

(Equipe da SMC) – Aproveitando a sua provocação, você sabe quando ocorrerá sua passagem para o Outro Lado?

(BTA) – Não. Por minhas próprias funções precognitivas e com base em diálogos com os Guias Espirituais, conheço algumas linhas de futuro potencial. Mas são apenas isso: possibilidades, não eventos determinados. O livre-arbítrio meu e doutras pessoas está envolvido. Acredito, porém, que ficarei por mais alguns anos com vocês, se assim a Divina Providência autorizar.

(Equipe da SMC) – Você começou sua tarefa mediúnica ainda na adolescência. O que sente quando se aproxima de quase quatro décadas de convívio com os Instrutores do Mundo Espiritual?

(BTA) – Segurança no exercício de minhas funções. Digo isso considerando, embora, minhas limitações como médium e ser humano. Ou seja, estamos sempre suscetíveis a cometer erros. Quanto ao convívio, porém, com pessoas domiciliadas no domínio extrafísico de existência, começou bem antes de me chegar o Chamado ao honroso dever de me fazer intermediário dos Bondosos Amigos Espirituais. Quero dizer, a aptidão mediúnica, isoladamente considerada, e, portanto, os contatos com gente livre da matéria densa, iniciaram-se na primeira infância, desde que tenho memórias de minha atual reencarnação.

(Equipe da SMC) – O que de mais importante um médium precisa saber para não ser enganado por embusteiros do Plano Astral?

(BTA) – Ficar atento aos impulsos do ego, para alijá-los do intercurso com os Espíritos, e observar, com muita ponderação, os reclamos da própria consciência. Quem deseja ser importante deve procurar outras áreas de atuação, no campo acadêmico ou atlético, no serviço público ou na iniciativa privada, na esfera artística ou midiática.

Somente os sentimentos autênticos de se colocar a serviço de um ideal, do bem comum acima do individual, podem garantir uma jornada relativamente escoimada de acidentes graves, na intrincada e gravíssima missão de agir em nome da Espiritualidade e da Divindade, na dimensão material de vida.

A rigor, em todo âmbito de ação, do familiar ao social, do profissional ao cultural, esse princípio de conceder primazia à consciência, no intuito de se colocar em sintonia com as Faixas Mentais da Supraordenação Benevolente, constitui o paradigma de aplicação devida para a proteção contra os enganadores dos dois Lados da Vida.

Na seara mediúnica, todavia, como em qualquer trabalho de caráter espiritual ou religioso, essa regra tem um peso de Lei que não se pode ignorar, sem que se sofram seriíssimos prejuízos, para si e para quem esteja em seu raio direto ou indireto de influência.

(Equipe da SMC) – Qual você diria ter sido seu maior teste nesse particular?

(BTA) – Ter sido convidado a abandonar a faculdade de direito e tê-lo feito pouco antes de me graduar.

É evidente que eu poderia ter concluído o curso – isso jamais configuraria algo moralmente errado. Mas haver dado as costas a qualquer ideia de prestígio para o mundo, desde muito jovem (quando mais agudos e numerosos são os ataques e pressões para se atender a demandas de ambição mundana), a fim de me dedicar exclusivamente à minha vocação de sacerdócio mediúnico (é assim que me vejo: em serviço sacerdotal), foi, sem dúvida, uma das provas de fogo que ofereci a mim mesmo e a quem me ouça as canalizações mediúnicas: de que estou, de fato, devotado genuinamente à Causa do Bem, sem agendas ocultas.

Comumente, o que é deplorável, vemos pessoas que tomam a rota de atividades religiosas por um cálculo de ganho material ou social: para fazerem fortuna, lançarem-se na vida política ou desfrutarem de influência sobre outras pessoas. Ao notarem que não conquistariam esses “prêmios” do ego por meios decentes, indivíduos dentro do espectro da psicopatia escolhem o “caminho fácil” de explorar a boa-fé alheia.

Assim, assistimos ao espetáculo dantesco de criaturas medíocres ascenderem socialmente, como donos de impérios do dízimo e políticos de má índole, quanto igualmente flagramos almas doentes, sequiosas de atenção e destaque, que se dizem médiuns da Espiritualidade Maior, sem demonstrarem, em seu discurso ou atitude, a maturidade e a sabedoria esperáveis de representantes de Seres Superiores.

No meu caso, agradeço haver nascido em meio a privilégios de boa instrução, na infância e na adolescência, com um “futuro garantido” para o “estrelato” no universo do direito ou da política, e ter escolhido a “via absurda” de abandonar o que estava nas minhas mãos, no propósito de dizer “sim” ao Chamado de Jesus, que, em sentido mais pleno, implica largar todas as vantagens do cosmo humano normal para segui-l’O, carregando a “cruz” de vicissitudes as mais diversas, inevitáveis a quem se decida por essa trilha, desde a condenação no seio da família à reprovação de colegas, conhecidos e mesmo pessoas dedicadas à vida religiosa.

(Equipe da SMC) – Mais algo você considera importante ser adicionado a esse tópico de conversa, em nossa entrevista?

(BTA) – Sim. Apesar do que disse e do meu esforço em me consagrar integralmente à difusão do Discurso Espiritual que me foi designado, eu mesmo teria dificuldade em aceitar o quanto estaria espiritualmente apto a esse mandato Celeste, não fossem os extraordinários Sinais Confirmatórios (2) que surgiram, pujantes e cumulativos, no correr dos anos, e que só podem provir da Divindade ou de Seus Prepostos.

Ademais, agradeço a Deus pela misericordiosa oportunidade de servir meus semelhantes, canalizando esclarecimentos e consolações que eu próprio gostaria de receber.

Por fim, peço aos corações de boa vontade o préstimo de suas orações, para que acerte mais e erre menos, na mais difícil e complexa função que pode existir: representar o Céu na Terra, mesmo sendo tão humano e limitado.

(Entrevista concedida em 2 de maio de 2026)

(1) Para facilitar o fluxo da leitura e do entendimento, nossa equipe escolheu registrar esta entrevista sem as flexões ao gênero feminino que costumamos incluir nos textos, ainda que a regra gramatical estabelecida não as determine.

(2) Vide: Endossos Divinos.