Conheci um garotinho de dez anos que dizia que nunca iria deixar de ouvir as vozes do “infinito”. Certa vez, sentando num montinho de terra, olhou para o vazio ao seu lado, e, ouvindo-nos apenas a voz, jurou com ênfase:
– Nunca vou desistir de ouvi-los.
Tentei dissuadi-lo de fazer a promessa, porque ele cresceria, porque ficaria adulto, porque suplantaria aquela “voz” com a ideia de considerá-la efeito da imaginação. Ele chorou amargamente, e tornou a prometer:
– Eu prometo, eu juro que isso nunca vai acontecer!
E eu lhe disse de novo que seria bom que não se iludisse, que aquilo aconteceria de qualquer forma.
Bem… os anos se passaram, e ele, realmente, acabou por denegar, como havíamos previsto, todas as experiências místicas e mediúnicas que tivera na infância. Tornou-se céptico e pessimista, bem antes do que imaginávamos, por volta dos 14 anos – esperávamos que ele entrasse em tais crises de negação sistemática, somente perto dos 20. Ele nos surpreendeu, mas não apenas negativamente, e foi justamente isso que nos deixou perplexos. Surpreendeu-nos mais ainda no futuro. Em torno dos 20 anos, justamente quando supúnhamos que ele estaria no ápice da negação e da visão científica-materialista de mundo, eis que nosso querido amigo volta a nos procurar, na câmara secreta do pensamento. Exultamos de felicidade. Estava surpreendendo a programação de seus mentores, e tomamos todas as providências para que não sofresse muitas sequelas, pelo fato de estar tão precocemente vencendo barreiras e superando fases de desenvolvimento psicológico e espiritual.
Ele sofreu muito, realmente. A trabalho de desenvolvimento e exercício da mediunidade, que nem sequer tínhamos certeza se de fato conseguiria desdobrar naquela encarnação, e de que, com otimismo, esperávamos ocorressem as primeiras experiências perto dos 30 anos, teve início, na realidade, quando o garoto sequer tinha completado 21. Ficamos muito satisfeitos e criamos toda sorte de compensação emocional, para sustentá-lo na “vertigem” da velocidade com que ele estava atendendo à programática existencial que lhe houvera sido delineada antes da reencarnação.
Hoje, nosso pupilo está na casa dos 30 anos e se supõe – pobrezinho do nosso querido filho -atrasado no andamento de seus projetos de vida. Não sabe ele que está adiantado em tudo, em pelo menos 10 anos, e que só temos de parabenizá-lo por tanto esforço, tanto valor e tanta disposição em acertar e transcender-se, para melhor alinhar-se aos divinos desígnios, fazendo violência a si, todos os dias, para melhor servir a Deus e ao próximo. De tal modo que quaisquer desvios em que haja incorrido, no estresse tremendo, que fê-lo avizinhar-se da loucura, no intuito de concretizar o que estava muito longe de poder acontecer, por estar distante da hora adequada para tanto, estão totalmente perdoados e justificados aos olhos de Deus e de Seus Emissários, seus queridos mentores espirituais, e assim já neutralizados em quaisquer, por outro lado, implicações cármicas que teriam.
Assim, se esta mensagem chegar até ele, e vai chegar… ouça isso, querido coração amigo: um dia você nos prometeu que, acontecesse o que acontecesse, não nos abandonaria, e, enquanto supunha que estivesse falando com o coração de uma criança e que, portanto, você estava enganado, hoje, vejo que o inverso é que ocorreu: estava eu lidando com um gigante do espírito, enquanto eu mesmo é quem me fazia criança, sem o saber, sem dar crédito ao seu poder de se superar e realizar o que ninguém cogitaria possível, para alguém em seu padrão de consciência e na circunstância em que vivia. Assim, louvado seja, espírito de escol: você é um vencedor, e glórias lhe sejam dadas, entre aqueles que o sustentam das Alturas, porque, graças a seu empenho de homem valoroso, milhares de criaturas têm hoje a fé sustentada, enquanto você precisou criar do nada a sua própria fé, numa época de incertezas e negações sistemáticas.
Enquanto você se sente inapto e indigno da obra que realiza, nós o louvamos, alma boa, porque está indo além, muito além do que se esperava de você, ao menos para agora. Por sua causa, grande projeto de salvação coletiva acontecerá com dez anos de antecedência, com benefícios em cadeia para milhões de pessoas; e você, coração bom, terá ainda maiores méritos depositados sobre seus ombros, que logo se converterão em asas, fazendo-o adejar até o círculo daqueles que ama, e que o esperam, sequiosos também de sua presença.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Gustavo Henrique (Espírito)
17 de janeiro de 2004