Nosso irmão Guilhermino reencarnou, com grandes dificuldades programadas para seu percurso existencial. Trabalhava continuamente, na parte da manhã, como escriturário, em repartição humilde, num Município do interior brasileiro. Cuidava da família à tarde, ele mesmo cozinhando para todos, zelando por uma mãe doente e criando dois sobrinhos pequenos.
Ia ao centro à noite. Recebia entidades sofredoras para esclarecimento justo, dava passes nos assistentes, e, por fim, recebia mensagem esclarecedora de Lúcio, o guia espiritual amoroso e sábio que o acompanhava de perto, dirigida a todos os circunstantes.
Quando chegava em casa, ainda encontrava afazeres laboriosos. Tinha que psicografar, para que as mensagens dos imortais fossem registradas para sempre. Depois de receber as páginas benditas, tinha que passar a limpo tudo e ele mesmo datilografar. Terminava o dia esgotado, para dormir algumas poucas horas de sono.
Mas, apesar do esgotamento, Guilhermino era sempre sorrisos. Sofria ataque constante, no sensório de suas faculdades medianímicas sublimes; o ódio dos adversários religiosos; a inveja dos confrades que almejavam tão elevada mediunidade; as súplicas sistemáticas e muita vez absurdas dos que o procuravam; as angústias, dores morais e físicas, medos e culpas de todos que buscavam – tudo lhe era impresso na sensibilíssima esponja psíquica que era.
Alguns o viam como um santo. Mas eram poucos. Para a maioria, afigurava-se uma aberração simpática. Desprovido de beleza física, com maneirismo feminino, fala doce e mansa, obeso e pobre, não havia quem olhasse para ele com interesses outros que não fossem beneficiar-se ou explorar suas habilidades espirituais e, depois, deixá-lo só, em sua casinha humilde, chorando sua solidão e tristeza, após haver alimentado a alma da multidão.
Felizmente, Guilhermino não está mais entre os encarnados. Graças a Deus! Veio repousar, merecidamente, entre os justos. Está em paz e em total bem-aventurança. Não voltará mais ao plano físico de vida: ruim apenas para quem ficou.
Chegou a hora de outras almas sensíveis se darem, em prol do bem comum. Faltam símbolos de santidade, virtude e pureza, que precisam surgir, dos próprios grãos humílimos de gente que desponta da massa inconsciente. Assim, a ausência do mito de amor e pureza que Guilhermino representou fará com que muitos, embora não tão brilhantemente quanto ele, despertem seus potenciais ocultos de bondade e serviço, para que as multidões de carentes, desajustados e desorientados, que ainda atulham o mundo terreno, sejam alimentadas, tratadas e curadas.
Você também pode ser um mensageiro do bem. Se sente fome de Luz; se percebe, em si, a carência da Espiritualidade Sublime, não espere que venham suprir suas necessidades, que alguém lhe venha canalizar Deus e Seus Emissários: torne-se, você próprio, um canal da Luz para si e para os outros. Não precisa fazer muito ou fazer de forma espetacularmente impoluta e elevada. Faça o que está ao seu alcance, mas faça com amor e devotamento. Assim, enquanto a outros nutre, com a linfa de seu sacrifício, você mesmo será o primeiro a ser impregnado com as fragrâncias excelsas da Espiritualidade Redimida…
Chegou a hora de muitos, e não mais poucos sobrecarregados, surgirem para o amanhã risonho de novas esperanças, em que não mais alguns faróis, em meio à tempestade bravia, despontarão no meio do nada, mas diversos sóis rutilantes, ainda que como estrelas longínquas, a pontilhar a noite escura do mundo, com gotículas de esperança, alegria e paz.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Gustavo Henrique (Espírito)
16 de setembro de 2003
(*) O querido e nobre mentor Gustavo Henrique faz clara alusão a Chico Xavier, nesta narração terna e despretensiosa, apesar de alguns dados de sua biografia estarem alterados, mas com evidentes objetivos simbólicos de transmitir o inefável (entre outros detalhes: o cuidar de uma mãe doente e cozinhar, à tarde, em casa – ambos dados inexistentes na última existência física de Chico).
De fato, com esse encerramento da “era dos santos”, após o desencarne de Madre Tereza de Calcutá e de Chico Xavier, chegou o momento de nós, como coletividade – a humanidade terrícola encarnada – e principalmente como indivíduos, darmos os primeiros passos na senda moral, sem a ajuda dos “andadores espirituais”, que constituíam tais presenças sublimes, que, a cada século, eram enviadas, para socorrerem as comunidades primitivas, em seus passos claudicantes, rumo à evolução da consciência.
(Nota do Médium)