Mais um vez, viste-te em queda. Não importa qual seja tua fraqueza, volta-e-meia, serás confrontado com teu ponto de vulnerabilidade.
Este é dado a fortes descontroles emocionais, em explosões vulcânicas de raiva, ciúmes, inveja ou desejo de vingança.
Aquele é de tal modo apegado aos bens materiais, que se esquece dos mais subidos valores da alma, confiando-se a terrível inversão de prioridades, na balança dos tesouros da vida. Alguém mais é de tal modo cioso de seu sentido de eu, que não raro se vê tomado de lastimáveis delírios de orgulho e capricho, sempre desejoso de sinais claros de supremacia de sua personalidade sobre os demais. Outro tanto é tomado por nefanda hipnose de preguiça e covardia, longe do trabalho justo que lhe poderia redimir a alma de antigos erros e lhe desenvolver a psique para os grandes voos do amanhã.
Seja qual for a fraqueza que te seja típica, verifica que ela te vem como mensageira de tuas limitações, no sentido de te avisar do que falta ser feito, do que é urgente, do que não pode ser mais adiado. Não te consumas, contudo, em lamentações improfícuas e mesmo contraproducentes, quando não conseguires, após genuíno empenho em te melhorares, corrigir certas falhas estruturais em tua psique. Elas podem de tal modo estar cristalizadas em teu arcabouço mental, que simplesmente não possas delas te deslindar, na presente encarnação, exigindo-te, assim, administração judiciosa, para que estejam sob controle e não controlando-te. É possível, por outro lado, que tal idiossincrasia, em tua estrutura psicológica, constitua estímulo a que desenvolvas outros atributos na alma, outros elementos que te burilem o caráter, provavelmente mais importantes do que os que te chamam mais a atenção, por ora. Porque, amiúde, os interesses do espírito estão em total desacordo com os interesses do ego. Assim, alguém que deseja vencer a inércia, com o fito de adquirir riqueza, pode trabalhar menos, para ganhar mais, contudo no campo do essencial, como na educação direta dos filhos, além da mera instrução acadêmica, fornecida pela escola. Alguém que se sinta tentado a sublimar totalmente os impulsos sexuais pode descobrir fortes barreiras nesse sentido, para que, então, não se intoxique com perigosas “vaidades espirituais”, no caminho de grandes ilusões de prevalência do “eu”. Como disse Paulo, amigo: “o bem que quero fazer, não faço; mas o mal que não quero, esse faço.”
Ou, n’outra ocasião: “E, para que não me envaidecesse das revelações, foi-me dado um espinho na carne, mensageiro de Satanás.” Perdoa-te, assim, em tua limitação renitente e, focando mais o que queres dilatar do que o que pretendes retrair, concentra-te, então, no bem a fazer, para que, lentamente, desapareça, em tua casa mental, espaço para o mal que ainda hoje de azucrina a existência. Essa superação, entretanto, por mais que te empenhes e te disciplines em alcançá-la, não poderá ter dia ou circunstância pré-determinados por ti para acontecer: podes apenas te esforçares por propiciar tal ocorrência, que, ao tempo certo, surgirá em sua vida, qual a torrada saltando da torradeira, no momento exato em que alcançou o ponto certo de tostadura pré-programada. Medita nos motivos que te levaram a sofrer o vexame íntimo que padeces, no nível moral do ser, quando no confronto com tua limitação, e logo estarás descobrindo, nos instantes de dor, grandes oportunidades de crescimento espiritual e paz.
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eustáquio (Espírito)
24 de setembro de 2003