Se você segue na vanguarda, sofrerá a resistência por onde passar, com quem estiver. Os vetores evolutivos das sociedades são naturalmente sobrecarregados. O carro-chefe de um comboio é a locomotiva, e lhe cabe, com sua força, puxar o peso-morto de todos os vagões que lhe vêm atrelados na retaguarda. O corredor que toma dianteira sofre o atrito com o ar, que freia sua velocidade. O primeiro homem que adentra uma floresta faz isso devagar, cortando caminho, em meio à mata-fechada.

Assim, se você se dispõe a estar na linha de frente de qualquer coisa, não espere comodidades. Se quer vida fácil, retorne ao calor tépido da normalidade, e descanse, durma e esqueça desafios, aventuras e a excitação intraduzível de fazer, crescer e transformar. Porque esse é o preço a se pagar por estar atrás e não se esforçar um pouco: não ser; frustrar-se; excetuando-se os casos de seres de evolução mediana ou de fato primitivos, relativamente à evolução planetária, que não sentem impulso de transcender a média de desenvolvimento espiritual do globo.

Se, no seu ambiente de trabalho, adota ideia criativa ou apenas segue as novas ondas de inovação de centros importantes, imediatamente é visto com reserva por colegas (que o veem com inveja), por chefes (que o sentem como uma ameaça), pelos concorrentes (que pretendem destruí-lo).

Se está em casa e assume postura amorosa e compreensiva, costuma ser visto como tolo e fraco, pelo cônjuge imaturo, pode amolentar o caráter dos filhos, que precisam de sua severidade para amadurecer, e, por fim, pode sofrer abusos de todos, por conta das tendências caprichosas e invasivas do ser humano médio da Terra de hoje.

Se mesmo em sua atividade religiosa adere a perspectiva ecumênica, aberta, indulgente e madura, logo é tido à conta de herético, depravado ou irresponsável, por aqueles mesmos que partilham de seu ideal espiritual, que não vislumbram, em seu comportamento mais avançado, as sementes necessárias do progresso.

Essa sina da vanguarda, todavia, não foi inventada agora: sempre foi assim. Está, inclusive, muito leve atualmente. No passado, fogueiras foram acesas para incinerar vivas mulheres sensíveis, que falavam com plantas ou com os que se pensam mortos, bem como homens de gênio e coragem, que ousavam romper paradigmas vigentes, e enxergar além da superfície dos fenômenos. Agora, você só sofre o escárnio ou o desprezo de alguns ou de segmentos inteiros, mas pode trabalhar, movimentar-se, exprimir-se livremente, e – maravilha das maravilhas –, até mesmo continuar a obra revolucionária que lhe foi confiada, no seio dos grupos heterogêneos em que está inserido. Só isso já constitui uma bênção ímpar. Entrementes, apesar dos avanços da modernidade, a calúnia, a incompreensão e o desejo de vingança daqueles que lhe não toleram a superioridade evolutiva cercar-lhe-ão o passo onde estiver. Perguntarão, histriões, engolfados no veneno da inveja: “O que ele tem que consegue tudo fazer?”. Atacarão, levianos, sem admitir que o orgulho lhes impede de enxergar seu valor: “É um dissimulado, que age friamente.” Ignore, porém, amigo, essas pedras que lhe marginam as estradas existenciais. Os pedrouços que lhe lançam podem servir ao prédio que erige, em nome do progresso. De outra forma, driblando os projéteis da malícia e da maldade que lhe são lançados, desenvolverá excepcional habilidade e maturidade na alma. Persistindo, a despeito de tudo, logrará desenvolver uma fortaleza à prova de qualquer ataque. Por fim, não se esqueça jamais, vanguardeiro da Luz, de que quem segue à frente, segue sob patrocínio divino e de que, aconteça o que acontecer, pode contar com o apoio especial das Potestades Sublimes que dirigem os destinos do globo, porque quem trabalha pela evolução do orbe, trabalha para Deus, que quer que tudo cresça, ad infinitum, rumo à plenitude e à paz.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Gustavo Henrique (Espírito)
14 de setembro de 2003