Você, alma boa e sofrida, sustenta o coração em brasa, aturdida pelo vazio a que se vê atirada, pela indiferença de muitos. Tem o ideal do afeto torturado e, relegada a total desamparo, segue amparando, sem receber nada em retribuição, por seu sacrifício de amor.
Todavia, em meio às tormentas da vida, vertendo suas lágrimas pelas dores alheias, sem ter quem chore pelas suas dores, recorde-se de que é graças a uma legião de almas suas irmãs, no mundo, que a civilização na Terra não encontrou em colapso definitivo. Graças aos milhões de corações de mãe, espalhados por toda parte, uma enorme rede feminina de ajuda e sustentação do afeto, que o mundo não derrapou, inapelavelmente, para a goela sanguissedenta do abismo.
Assim, querida amiga do ideal maternal, se vê seus filhos azucrinarem-lhe o juízo e crivarem-na não só de exigências descabidas, mas também de acusações de todo injustas, ore, perdoe e siga em seu ministério de devotamento e amizade, disseminando, por toda parte, ternura e afeto.
Sim, você pode e deve se defender. Sim, você pode e deve apelar para a razão, apresentando, lucidamente, seus motivos, tentando dissuadir, da sina perversa, aqueles que a atacam indevidamente. Mas, minha irmã, depois de tudo fazer em sua própria defesa, notará que está, de certa maneira, sozinha e acuada mesmo assim, e que sua voz ecoará sem ressonância, no coração daqueles que a ouvem. Não em vão, porém, terá falado, porque suas palavras de lógica e amor calarão fundo em seus corações, quais sementes de luz, a germinarem, lentamente, no imo de suas almas, às vezes consumindo séculos para o total desenvolvimento, mas inexoravelmente vindo um dia, disso tenha a máxima certeza, a germinar.
Porém, em meio à rudeza e frieza daqueles que se beneficiam diretamente de seu amor, não se sinta tão só, prezada amiga. Existem outros corações como o seu, no mundo. Você não está sozinha, realmente, nem mesmo no plano físico. Observe com cuidado, procure com o detector de luz de seu coração, e perceberá, não raro, estar cercada, aqui e ali, de outras almas generosas e abnegadas como você, dispostas a se darem sem esperarem nada em troca, e que, como você, vivem aturdidas pelo desânimo e pela tristeza, pela decepção e pela sobrecarga de atribuições, obrigações e compromissos. Não estará talvez em seu círculo doméstico, mas notará naquela alma boa que faz a faxina de seu escritório. Não estará talvez entre seus filhos, mas quiçá entre aqueles que convivem com você, no ambiente de trabalho. Não estará entre seus grandes amores, mas certamente as encontrará nas grandes amizades.
Observe com cuidado, querida amiga do ideal, e notará que não estamos sós. Somos a grande rede das mães do céu, a se distender por sobre a Terra, a mais poderosa fraternidade espiritual do planeta, e, por mais que você se sinta limitada e infeliz, observe, querida irmã, como, pela força do coração, é capaz de tudo fazer, tudo curar, e a todos amar, distribuindo, indistintamente, por toda parte, por onde houver dor ou necessidade, a mais preciosa de todas as forças, aquela que promana do próprio Criador… o Amor!!!…
Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
08 de janeiro de 2004