Lute para destronar de sua mente todos os complexos – de riqueza, de poder, de posse – e fixar o fundamental: o núcleo de sua consciência e seus reclamos mais profundos de paz e de felicidade. Talvez lhe soe estranho a palavra “complexo” aqui utilizada, mas só a utilizamos para logo não fazer uso de algum termo ainda mais forte, como, por exemplo: “neurose”. De fato, quem propele sua vida em busca de coisas externas sofre de distúrbios inflacionários do ego, que busca expandir-se, crescer externamente, por não encontrar base sólida, dentro de si. Assim, quem não se ama o bastante, quem não tem a indispensável medida de autoconfiança e autoestima, acaba por nutrir delírios de gana por poder, status e outras formas compensatórias de seu sentimento de desvalia pessoal.

Não que se devam abandonar todos os projetos de ascensão profissional, mas o foco no sucesso e não no serviço denota doença na alma e, portanto, exige atenção acurada do indivíduo, para que se cure e se transforme, para que descubra a verdadeira gênese de sua insatisfação. Não se fazendo isso, cedo ou tarde a frustração chegará, normalmente bem mais tarde do que possa oferecer ensejo, ainda numa mesma vida, de corrigir o erro de rota existencial.

Procure o verdadeiro sentimento de valor pessoal, no princípio da realização íntima mais profunda. O que o torna, mais verdadeiramente, você mesmo? Que tipo de atividade o conforta, torna-o pleno, fá-lo sentir-se com o sentimento de dever cumprido? Esse é o seu caminho, o caminho da verdade para você. Se resolver prostituir sua consciência e adulterar sua alma, para adaptar-se a um sistema de vida que não condiga com o que seu coração lhe pede, então, só nos resta deplorá-lo e orar pelo seu futuro, onde, sem dúvida, aguardam-no desagradabilíssimas surpresas. Claro que você pode fazer ajustes do seu sonho com sua realidade, para, inclusive, viabilizá-lo, mas que esses ajustes não impliquem desvio de foco ou vergamento de vigas mestras de ser e sentir que caracterizam sua natureza. Seu coração saberá exatamente do que falo, na hora em que se sentir na situação de esforço legítimo por tentar ser quem realmente se é.

Vá, agora, amigo, para o mundo, como disse Jesus, sem ser do mundo. Adapte-se à sua realidade, sem se imiscuir com ela. Torne-se melhor, ainda que tenha que participar, aqui ou ali, de atividades que não correspondam mais, completamente, ao seu modo de ser e sentir, mas que, em toda sua atitude, em cada gesto seu haja o comprometimento absoluto com sua verdade pessoal, até que, um dia, possa ela se manifestar, de modo puro, no mundo físico, sem mais os arranjos adaptativos que o bom senso lhe cobrava, nas primeiras fases de sua jornada de busca interior.

Em resumo, queremos que você seja feliz e que se encontre, plenamente, ainda que isso lhe custe muito caro, num primeiro momento. Porque, esteja certo, prezado amigo: o preço da negligência, nesse campo sagrado da alma, é muito maior do que qualquer imposto que tenha que pagar ao cosmo, pela determinação em ser o que deve ser.

Benjamin Teixeira de Aguiar (médium)
Eugênia-Aspásia (Espírito)
14 de dezembro de 2003